Francisco Gurgel Valente (2)

Francisco Gurgel Valente

Por dom Newton Holanda Gurgel (*)

Há um século nascia em Uruquê, distrito de Quixeramobim, à margem da estrada de ferro, uma criança que na Pia Batismal recebeu o nome de Francisco.

Como novo Abraão, sairia de sua terra e seria 'pai de uma grande prole.

Ainda adolescente, no ano de 1908, veio com os pais: Henrique Gurgel Valente e Joana Pereira Gondim, para Acoplara, ou melhor dizendo, para o povoado de Lajes que estava próximo a ser integrado à estrada de ferro de Baturité pela estação de Afonso Pena, nome do então presidente da República.

Por volta de 1914 se estabeleceu como comerciante, no comércio local, com uma ajuda paterna de meio conto de réis ($ 500.000,00).

Em 29 de julho de 1916 se casou na Matriz de Senhora Sant'Ana em Iguatu, assistido por monsenhor Coelho, com a prendada senhora Aurélia Holanda Cavalcante que lhe deu 16 filhos bem nascidos dos quais, por graça de Deus se criaram 15 e destes só é falecido Neófito.

Como rasgo de pioneirismo por volta de 1925 montou uma indústria de beneficiamento de algodão, fornecendo energia elétrica para a iluminação pública.

Com a implantação do Estado Novo, ao tempo de Getúlio Vargas, exerceu por diversas vezes a função de Delegado de Polícia.

Foi também Vereador da Câmara Municipal no período de 1951 a 1955, tendo ocupado a presidência da casa.

Membro atuante da Conferência de São Vicente de Paulo e da Irmandade do Santíssimo Sacramento, esteve sempre ao lado do pároco e deu todo apoio a chamada Liga Eleitoral Católica na memorável campanha em que se envolveu a Igreja no Ceará pela eleição de Francisco Meneses Pimentel na eleição para Governador do Estado.

Católico de profunda convicção, alimentava a mais firme adesão à doutrina da Igreja e reverente consideração à sua hierarquia, especialmente, na pessoa do Romano Pontífice.

No agir íntegro e transparente que marcou a sua vida ele se afirmou como cidadão de bem, muitas vezes sacrificando os seus compromissos comerciais para atender às necessidades inadiáveis dos seus fregueses "fornecidos" e moradores rurais.

Manso por temperamento, amava sobretudo a paz e a conciliação, nada guardava no seu coração que transpirasse ódio ou rancor contra alguém, nem mesmo nas acirradas lutas políticas.

Legou-nos sobretudo, à semelhança do seu pai, a grande lição de otimismo e de amor à vida.

Apesar das imensas dificuldades que lhe coube enfrentar na vida, jamais se deixou abater, e olhando para frente, sempre com muita coragem e ousadia, apoiando-se na fé cristã, dava-nos constantemente exemplo de trabalhador incansável, bem humorado e cheio de confiança no futuro.

0 seu lema de vida bem podia ser a conhecida frase de cunho proverbial:, "Audaces fortuna juvat". A sorte ajuda os corajosos. O que lhe valeu a prolongada vida de quase 95 anos, pois faleceu a 20 de julho de 1988.

Eis porque no centenário de seu nascimento lhe queremos prestar esta homenagem de carinho, amor e gratidão.

Que a longa e bela vida com que Deus o agraciou neste mundo lhe seja penhor de perene felicidade na morada eterna.

(*) Dom Newton Holanda Gurgel (Acopiara), filho de Francisco Gurgel Valente, em 1993, Administrador Diocesano Crato-CE, hoje Bispo Emérito

Carta a Meu Avô Francisco Gurgel Valente

Por JB Serra e Gurgel (*)

Como neto mais: velho, neste seu centenário de nascimento, vá, gostaria de assinalar o que me ficou na memória: o homem bom, simples, sertanejo, do nosso Recanto de menino; o político afável, atento, conciliador de nossa Acoplara; o comerciante aberto, obstinado e idealista; o pai dedicado na alegria e no sofrimento; o avô generoso e amigo. Este é um sentimento que envaidece e orgulha seus filhos, netos, bisnetos, tataranetos, quatro gerações de Gurgel que emergiram da sólida e fecunda união com vovó Aurélio.
Faltou-me o convívio maior para ressaltar suas virtudes e reparar seus defeitos.
Ficou-me porém pelos relatos de família a visão de um Francisco Gurgel Valente acima de tudo pioneiro no sertão cearense, um novo bandeirante, com seu pai, vovô do Rio, Henrique Gurgel Valente, com uma legião de irmãos e sobrinhos e um legado de filhos. Um pioneiro que desembarcou em Lages, viu-a crescer, tomar a forma de Afonso Pena e afinal o encanto de Acoplara.
Um pioneiro que conhecia palmo a palmo do Baixio, do Recanto, da Serra Nova, espaços onde seu braço alcançou para a cultura de subsistência de seus familiares e de seus moradores. Um pioneiro de voz mansa, de gestos largos, aberto ao diálogo, religioso, justo, de hábitos conservadores, de idéias progressistas. Um homem de seu tempo, de um Brasil rural distante da civilização e de um Nordeste e de um Ceará esquecido pelo Brasil e pela humanidade.
Superando obstáculos e vencendo resistências, vovô construiu não o latifúndio territorial e improdutivo dos coronéis, embora fosse um deles, mas por seu espírito de entendimento construiu o seu patrimônio: uma família que migrou para outras plagas, levando a bandeira do trabalho, da decência, da dignidade, da justiça. Migrou levada pela sede de educação e de cultura e empurrada pelas adversidades da vida, mirando-se no seu exemplo e na sua saga de pioneiro. Isto é que nos move pelos caminhos do mundo.
Não há horizontes sem fronteiras.
Ao Chico Henrique, de quem me despedi na mesa farta da casa sempre acolhedora
de minha Acopiara, a homenagem de seus seguidores. Procuramos apenas honrar seu nome, como sucessores. Nesse reencontro no seu centenário, reafirmamos os valores que distinguem os homens: a grandeza da alma e a memória eterna. Todos nós carregamos com indisfarçável orgulho a herança de, onde estejamos, desfraldar seus ideais de uma sociedade mais digna e mais justa, onde acopiarenses, cearenses e brasileiros vivamos com respeito. Pode ser um sonho, pode ser uma esperança.
É também a história de um legado.

(*) J.B.Serra e Gurgel (Acopiara), neto de Francisco Gurgel Valente, texto escrito para o livrinho do seu Centenário de Nascimento (1893-1993), organizado por dom Newton Holanda Gurgel, seu filho e meu tio.



Nertan Holanda Gurgel aos 90 anos

Por JB Serra e Gurgel (*)

Nertan Holanda Gurgel nasceu e viveu na mesma cidade de Lages, depois Afonso Pena e hoje Acopiara. Depois é que andou por Pedreira, no Maranhão, fixando-se em Fortaleza. Os Gurgel Valente se instalaram em Acopiara no final do século XIX, como fornecedores de Rede Viação Cearense, em construção.

Foi menino normal. Malino. Pestinha. Primeiro filho do vovó Francisco Gurgel Valente, Chico Henrique e de vovó Aurélia, neto de vovó do Rio, Henrique Gurgel do Amaral Valente, e vovó Joaninha, Joana Gondim Gurgel, de Eduardo e Laurentina Holanda, Mãezinha. Outros 14 irmãos vieram: Nestor, Nicanor, Nilo, Neon, Neófito, Newton, Francisco, José, Luís, Nicéias, Maria Leônia, Nereida, Napoleão e João Bosco.

Iniciou nas letras com tia Lídia, irmã de vovó Chico Henrique e com professor Horácio. Em 32, ano da seca, entrou para o colégio franciscano em Canindé, e dali foi para João Pessoa, de navio, via Fortaleza, estudar na Escola Apostólica Frei Martins. O hábito só usava nos dias de domingo, nas missas e nas procissões. Uma aventura e tanto. Na ida, foi de 12 classe no Comandante Salles. Na volta de 29, no Comandante Ripper.

Em Afonso Pena, não estudou mais, mas fez tudo o que os rapazes da sua geração faziam, princi-palmente se divertir além da conta. De seu grupo, eram Chico Felinto, Luis Paulino, Antônio Bernardo, Francisco Gurgel Sousa, Francisco Gurgel da Silva, Chico Tó, José Guilherme, seu Dantas. Nessa época, vovó Chico Henrique era coletor estadual e depois, no governo Vargas, foi delegado de polícia. Na redemocratização, em.46, foi vereador, sempre pelo PSD.

Trabalhou com vovó na loja, junto com tio Eduardo, irmão de vovó, seu empregado e depois coletor estadual. Na safra de algodão, era gerente da usina de beneficiamento, propriedade de vovô, que funcionou na rua Manuel José. Beneficiava algodão em troca de caroço do arbóreo. Em 39, com a II Guerra Mundial, uma arroba passou de 10 para 15 tostões. O preço cresceu e o caroço era todo vendido para a Siqueira Gurgel, de Fortaleza, para transformação em óleo comestível. Como gerente ganhava 240 mil réis por mês. Um dinheirão. O balanço de 39 deu lucro 100 contos de réis. Vovó, empolgado, lhe deu 10% de participação nos lucros. Quando a usina parava, no fim de safra, trabalhava na loja com tio Eduardo.

Em 40, com o casamento de papai, vovó Chico Henrique decidiu então dividir a loja. Ficou com ferragens. Emprestou 40 contos de réis para papai abrir uma loja para venda de tecidos, chapéus, brinque-dos, perfumes, fixando em 40% sua participação nos resultados, cabendo os outros 60% a papai. Tio Neófito, seu irmão, que estudou em seminário, em São Paulo, retornou a Acopiara e foi trabalhar com papai na loja, ficando com 20% dos 40% que cabiam a vovó.

Em 39, Maria Nilsen Aragão Serra, que morava em Tauá, foi passear em Acopiara, hóspede de tia Doninha Marques, casada com tio Cazuzinha Marques. Papai encantou-se, namorou pediu Maria Serra em casamento. Vovó Nelson Nunes Serra ponderou, mas acabou cedendo. Casaram em 40. Tiveram 13 filhos, dos quais 10 estão vivos.

Em 90, comemoramos as bodas de ouro de casamento, no sítio Maracujá, no Pecém, reunindo os Serra e os Gurgel. Mamãe adoeceu em seguida. Com muitas safenas no coração, doído com a partida de alguns de nós e com as lutas da vida, mamãe morreria em 7 de dezembro de 95.

Deveria eu ter uns quatro ou cinco anos, papai me levava ao Grupo Escolar para aprender a carta do ABC com d. Cecília. À hora do almoço, eu e Tereza íamos ao seu encontro na esquina do Padre e voltávamos para casa, nos braços dele, um do lado e outro do outro. Cercava Nelson de atenções por ser muito magro. Mimava a Fátima.

Na loja, Casa Dom Bosco, acompanhava as vendas nos dias de pagamento da RVC; aos sábados, nos dias de feira, Acopiara via gente de todos os distritos e sítios; assistia, curioso, receber os viajantes para abastecer a loja; fazia espuma com flocos de sabão para que pudesse se barbear na rua, com gilete azul e espelhinho; observava as conversas à tarde na rua, em frente à loja, com seus vizinhos Miguel Galdino, compadre Higino Alves Teixeira, João Cavalcante, Raimundo Rodrigues, Antônio Divino, José Pereira, Cícero Leite, Dr. Ezequiel Albuquerque de Macedo, Chico Rufino, Antônio do Cedro. Mandava-me buscar café na casa de Alfredo Nunes e d. Adelaide, sua prima; lia as indefectíveis coleções de aventuras de faroeste - papai tinha uma coleção de "Em Guarda", uma revista do governo dos Estados Unidos sobre a II Guerra Mundial, que guardava para que eu tomasse conhecimento do havia sido a II Guerra Mundial, e colecionava "Seleções do Readers Digest" que destruí - mascava ou fumava cuspindo longe, depois que me obrigava a cortar fumo de rolo para fazer cigarro.

Ainda na loja, a mensagem publicitária do padrinho Carlyle Martins, que foi juiz de direito em Acopiara: "Casa Dom Bosco,/ a casa do rico e do pobre,/ vende por preço barato,/ fazenda, rendas e bicos,/ chapéus, meias e sapatos,/ para os pobres e para os ricos,/ capacetes e sombrinhas,/ coisas chiques e baratas,/ quem ver nosso sortimento,/ dirá por certo conosco,/ vamos todos no momento,/ comprar na Casa Dom Bosco./ Rua Marechal Deodoro s/n".

No Natal, vendia brinquedos. Do que sobrava, dava-nos de presente. Obrigava-nos a dormir cedo. Ficava eu vigiando para descobrir se Papai Noel deixava brinquedos também debaixo das redes. Nunca ouvi falar da Lapônia. Nem de nozes, avelãs, amêndoas, passas ou castanhas.

Nas noites de Acopiara, na calçada de vovó ao lado dele, Chico Henrique e da vovó Aurélia, dos irmãos, cunhados e sobrinhos, todos aguardavam a hora da ceia, com pão de milho, café com leite e queijo de coalho. Nunca soube do que conversavam. Muitos anos depois, vim a saber que falavam de comércio e política.

Na igreja, vestido com a opa de Irmão do Santíssimo. Nos dias de festas religiosas, carregava o andor de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de São Sebastião, padroeira e padroeiro, pelas ruas principais de Acopiara. Nas missas dominicais, ouvia, impassível, os intermináveis sermões de padre João Antônio de Araújo.

No Círculo Operário, entidade beneficente, foi presidente. Era uma organização de pequenos em-presários, que dava pecúlio e auxílio funeral. Lembro da empolgação de seu hino: "operários,/ cerremos fileiras,/ olhos fixos no ideal que reluz,/ empunhemos a nossa bandeira,/ aureolada de glória e de luz".

No teatro do Círculo Operário, era ator de uma peça, escrita, produzida e dirigida por Tereza Aragão Serra. Numa cena, caía de uma escada, passava tinta vermelha na testa. Ao vê-lo ferido, fui embora, chorando.

Na casa do Cícero Leite, jogava sueca, em roda animada, com seu Zezinho da Malhada, José Cae-tano, Tereza Aragão Serra e mamãe. Nas noites de São João, velava a fogueira e assava milho.

A caminho do Recanto, eu ia no meio da carga, ele ia imponente num burro manso. O Recanto era a Casa Grande de vovó, seu lado Coronel de Engenho. Sem senzala. Um coronelismo decadente. Uma economia de subsistência. A moagem de cana para fazer rapadura, batida e alfenin para consumo e venda reunia a família, principalmente no dia 23 de agosto, aniversário de vovó. Neste dia, tinha boi. Nos outros dias, era bode, carneiro, cabra. Vovô reunia familiares e moradores, bem como os bóias-frias, como se fosse uma grande família. Todos comíamos a mesma comida, bebíamos a mesma bebida. Na mesa de casa, o trivial de sempre, arroz, feijão, farinha, carne, galinha, tutano, água, frutas, doces, café, pão, bola-cha. Guaraná Antártica só quando alguém adoecia.

Apanhei em casa Papai batia porque todos os pais, de seu tempo, batiam. Um dia apanhei porque não comprei o fígado para o jantar, outro dia porque quebrei a lâmpada da casa do Paulino Félix, outro dia porque não levei rapadura para os moradores no baixio. Outra pisa porque derramei café na boca de seu Salatiel. Mais outra porque apanhava na rua. Outra porque fui acompanhar o palhaço na rua e apareci com o braço marcado para assistir de graça o espetáculo. Muitas palmatórias joguei longe, muita corda escondi. Dizia-me sempre que a cegonha estava trazendo um irmão. Ficava sentado, de olhos arregalados, para ver como a cegonha poderia passar por entre as telhas e trazer no bico mais um de nós. Uma noite, como sempre, mandou-me procurar os chinelos Fui Rodei a casa toda. Quando achei, um deles, começou a andar. Assustei-me. Chorei. Insistia, sistia, ordenava. Aproximando-me, o chinelo anda-va, pois ele puxava a linha invisível à distância. Brincadeira de adulto.

Não havia televisão. Pelo rádio, acompanhava futebol e Luiz Gonzaga. Papai, aguardava a chegada do trem para comprar jornal. A geladeira, da casa de vovô, era movida a bateria. Em casa não tínhamos geladeira. Para que a água ficasse mais ou menos fria, a quartinha ficava na corrente de vento. Ia ao cinema do Alfredo Nunes, inaugurado com o clássico "E o vento levou...", que chegou àquelas lonjuras, ver comédias de "O gordo e o magro" e as chaplinianas do Chaplin.

Viagem ao Crato e a Juazeiro, com pernoite na ida e na volta, em Iguatu, para comprar sapatos e mercadorias para a loja. Fomos de trem, uma aventura. Surpreendeu-me, no hotel do Crato em que ficávamos hospedados, passando de uma varanda para outra. Um susto. No hotel, derrubei uma quartinha na rua e por pouco não provoquei um acidente. Outro susto. Na política, papai não seguia os passos de vovó. Preferiu administrar um conflito, já que os Gurgel sempre foram pessedistas, enquanto os Serra, como os Marques, sempre udenistas. Em Acopiara, isto deu muitos ressentimentos.

Fui para o Seminário, no Crato, com apoio do Tio Newton. Eu e meus tios, Napoleão e João Bosco, e o primo Auriberto. Em Acopiara, ou se ia para o Seminário ou para a Marinha. Eu não tirava a batina, feita por vovó Tereza, nem para dormir, nem no calor.

Nas férias, aguardava o dia de voltar ao Crato. Certa vez, retornando para lá, não deixei papai dormir, com medo de perder o trem. De meia em meia hora gritava: "Perdi, perdi, perdi". Ele dizia: "Não perdeu nada. Vai dormir, menino. É meia-noite". O trem passava às seis.

Lembro-me da mudança para Fortaleza, de trem, em janeiro de 1956, na busca de novos horizontes. Fomos para a Rua João Tomé, no Monte Castelo, atrás da Siqueira Gurgel, com forte poluição. De lá para a Avenida José Bastos. Não acompanhei na Barão de Ibiapaba e na José de Pontes Medeiros, a não ser como visita.

Lembro-me de papai ter fechado a loja, em Acopiara, e acompanhado compadre Higino Alves Teixeira nas andanças pelo Maranhão, em Pedreiras, para trabalhar com beneficiamento e venda de arroz. Montaram uma usina e vendiam arroz para Fortaleza. Ficamos meio órfãos, em Fortaleza comprando fiado no Tio Luis. Mamãe e vovó Tereza se encarregavam de obter bolsas de estudo com o deputado Joel Marques.

Vovó Tereza, que perdera vovô Nelson em 46, fechou casa de Tauá e veio morar conosco, em Acopiara e depois em Fortaleza. Papai teve com ela desvelo e carinho até seus últimos dias. Vovó, que nos acompanhou por longos anos, quando chegou à nossa casa, era uma mulher de muita vitalidade, opinião, firmeza. Tinha uma caligrafia deslumbrante, escrevia fácil, vibrava com as novelas de rádio e depois, de televisão, gostava de escrever modinhas e peças de teatro e encená-las. Tereza era sua atriz preferida e Chico sua paixão. No final da vida, frágil, cega, encontrou apoio para a morte digna.

Quando papai voltou a Fortaleza, lembro-me que aos domingos ia à missa na Igreja Nossa Senhora das Dores e ao mercado São Sebastião. Um dia montou uma mercearia no Parque Araxá, que não deu certo. Outra vez, montou um bar perto da estação, na rua Castro e Silva, que também não deu certo. Deste bar, guardo as inquietações de mamãe com o excesso de bebida. Montou ainda um depósito de material de construção, na Soares Moreno, na Barra do Ceará. Seguiu exemplo dos Gurgel, que tinham muitos depósitos em Fortaleza. Daí em diante, passou a vender mercadorias dos outros: supercal e minério de calcário; dobradiças e ferrolho Capitão Nunes; sacos plásticos Union; PM tijolos furados da Cosmac, de Sobral; bombas King de Paschoal de Castro Alves. Além disso, comprava e vendia por conta própria bombas, parafusos, roxo inglês, porcas, tijolo, tinta, material de construção. Foi aí que ganhou algum dinheiro. Na José de Pontes Medeiros, tinha um quartinho que servia de depósito.

Uma de suas manias era pedir o troco. Dava um cruzeiro para comprar pão. Quando chegávamos, sua pergunta monocórdica e inevitável: "O troco?".

Ainda em Fortaleza, na minha juventude, lembro que papai comprou um birô para mim, aplicado aos estudos no Lourenço Filho e no Liceu. Escrevia um monte de troços. Às vezes, dizia-me para alimentar os personagens que estavam morrendo de fome. Talvez. Comecei a trabalhar na imprensa local, "Gazeta de Notícias" e"O Estado" e "Dragão do Mar", antes de deixar o grupo para ver outras terras e outras gentes, com a cara e a coragem. Deixei pai e mãe, sabendo que isso lhes doía, mas não tinha muita alternativa.

JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor, filho de Nertan Holanda Gurgel



Acopiara  - Dom Newton 60 anos de padre, 30 anos de bispo

Por JB Serra e Gurgel (*)

Dom Newton Holanda Gurgel – o bom padre de Deus -  completa em 17.12.2009 60 anos de ordenação sacerdotal, sendo 30 de bispo, próximo aos seus 90 anos de vida dedicados ao
Cristo Salvador. Descobriu cedo sua vocação.

Nascido em Acopiara, em 1913, na família Gurgel do Amaral Valente, de um grupo de
16 irmãos, filho de Chico Henrique e Aurélia,  neto de Henrique e Joaninha,  estudou com a Tia Lídia, professora leiga de talento e cultura, que primava em transmitir conhecimento, numa  época que não havia escola pública nem educação formal.

Aos 13 anos, em 1937,  já estava no Crato, a 300 km de Acopiara, para entrar no
Seminário, onde fez seus estudos menores, em seis anos de idas e vindas. Os estudos maiores os fez , de Filosofia e Teologia, em Fortaleza e em João Pessoa. Teve um companheiro ilustre, dom José Freire Falcão que acaba de completar sues 60 anos, 1º cardeal cearense.

Foi ordenado padre em Milagres, em 17.12.1949 por dom Francisco de Assis Pires, 2º bispo do Crato, (1931-1959),rezou sua 1ª. missa em Acopiara, em 12.01.1950, com as presenças dos patriarcas Henrique Gurgel do Amaral Valente e Joaninha.

Foi vigário de Icó, cooperador em Iguautu, voltou ao Crato para ser diretor espiritual, depois reitor do Reitor do Seminário (1959/1962), depois foi vigário cooperador em Juazeiro e Campos Sales, de onde voltou ao Crato  para a Cúria Diocesana primeiro como bispo auxiliar (1979-1994) de dom Vicente de Paulo de Araújo Matos, 3º bispo do Crato, (1991-1992) e depois como bispo titular (1994-2001), o 4º, tendo sido sagrado no Vaticano pelo Papa João Paulo II, em 27 de maio de 1979.

Guarda recordação da conversa particular que teve com João Paulo II que pensava colocar nos altares do lado de dentro da igreja  um santo brasileiro, canonizando padre Cícero Romão Batista, há muito tempo colocado nos altares do lado de fora pelos romeiros do Nordeste, do Cariri e do Juazeiro.

Guiando-se pelas normas da própria igreja ponderou ao Santo Padre que se informasse sobre a condição eclesiástica de padre Cícero, face as decisões da Sagrada  Inquisição Romana Universal de 04.04.1894, de 19.02.97 e de 01.09.1898, que acabaram por o proibir de pregar a palavra de Deus, ouvir confissões e dirigir almas, ele que fora proibido de rezar missas pelo arcebispo de Fortaleza em 14.04.1986.

Dom Newton compreende e não censura a manifestação religiosa de romeiros e devotos, expressão de fé na Igreja Católica, mas aguarda – como toda a comunidade do Cariri e do Juazeiro -que o Santo Ofício revogue “a suspensão de ordens”, embora o padre Cícero, por carta e até pessoalmente, tenha recorrido ao Vaticano . Há décadas que a Diocese do
Crato espera uma decisão, ponto de partida para se confirme a santidade do padre Cícero, controverso, como religioso, político, líder carismático, proprietário de terras , imóveis e outros bens. No imaginário popular, “os milagres” que foram fonte do contencioso entre padre Cícero , o bispo de Fortaleza e a Santa Sé continuam reforçando a devoção ao  Padim Ciço no Juazeiro, no Cariri  e no Nordeste, um contraponto religioso relevante diante do infortúnio dos romeiros.
 
Como bispo do Crato reabriu o Seminário São José, do qual foi reitor, e que esteve
fechado, incentivou as ações pastorais laicas da Igreja, reformou o Colégio Diocesano, por onde passaram várias gerações de caririenses, reorientou  a radio Educadora, o jornal a Ação,  modernizou o Hospital São Francisco de Assis e o Centro de Expansão, local de convenções  religiosas. Ordenou 30 sacerdotese abriu três novas paróquias na Diocese.

Inspirado no seu lema de bispo – “Certa bonum certamen” -  Sustenta o bom combate – frase extraída de uma das Cartas  de São Paulo, pelejou em todas as frentes para que a Igreja para continue crescendo na fé na caridade.

Dom Newton pertence à a estirpe da Igreja dos padres e bispos com preparo intelectual e densidade religiosa exprimindo-se com fluência para que sejam compreendidos. É  humanista e culto. Foi um fiel e dedicado da nova ordem da Igreja que mudou a liturgia, colocou os padres de frente para os cristãos e substituiu o latim pelo português. Fala com os olhos, ouve com atenção, respeito e paciência, aconselha. Sabe discordar sem ferir, argumentar sem gritar, é suave no trato e na vida.

Não  aderiu nem como padre nem como bispo, à chamada teologia da libertação, na década de 60, movimento dos padres e bispos que queriam trocar o crucifixo pelo fuzil para operar  transformações sociais com base, no socialismo marxista. Manteve-se fiel ao espírito cristão dos papas reformistas, Leão XIII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, jamais pactuando com as injustiças sociais que agridem a consciências dos cristãos.

Convidado por João Paulo II para ser arcebispo de Curitiba recusou o convite optando por continuar no Crato perto de sua Acopiara, onde tem presença em inúmeros eventos, onde naturalmente assumiu a liderança da família Gurgel.Há anos reúne familiares no aniversário de vida de seu pai, Chico Henrique, em 24 de agosto. No centenário de sua mãe Aurélia, convocou  toda a família para as comemorações.   O mesmo aconteceu mais recentemente, em 2008, nas comemorações dos 100 anos da chegada da família Gurgel do Amaral Valente à Acopiara. Incorporou-se ao encontro anual dos filhos e amigos de Acopiara.

Hoje , como bispo emérito do Crato, acredita que desempenhou sua missão zelo, responsabilidade social.  Austero, vive numa pequena casa no centro do Crato, com uma empregada, d. Lurdinha, na mesma casa em que acolheu por longo tempo sua tia, Lídia, sua 1ª. Professora, até sua morte. Despreendido solidário, humilde, simples, mantem-se fiel às suas origens . Acolhe várias vezes no ano sua legião de irmãos que vão lhe fazer companhia.  Todos os domingos celebra missa na sua própria casa , e está a
disposição para confissões e atendimento aos enfermos. Sabe que sua trajetória de amor a Deus e ao próximo é corolário de dignidade e admiração.

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor, sobrinho de dom Newton Holanda Gurgel



Niceas – fez da vitória o traço que marcou a vida de trabalho


JB Serra e Gurgel (*)

Niceas Holanda Gurgel nasceu no Município de Recanto em Acopiara em 27 de junho de 1934, filho de Francisco Gurgel Valente (Quixeramobim) e Aurélia Holanda Gurgel (Iguatu), de uma família de 15 irmãos, neto de Henrique Gurgel do Amaral Valente, (Aracati) o Patriarca da Família Gurgel do Amaral Valente, de Acopiara. Seu nome veio de uma lista de nomes bíblicos começados com “N” e seus significados, entregue a Francisco e Aurélia por mons. Coelho, pároco de Iguatu, que os casou. Eles usaram a lista. Niceas quer dizer vitória.

Conheceu as primeiras letras em casa com tia Lídia Gurgel Valente, irmã de seu pai e que alfabetizou todos os irmãos e toda uma geração. Acopiara ainda não tinha escola, fosse pública ou privada, a energia era precária, fornecida ao Município pelo seu pai.

Teve uma infância tranquila na casa grande da praça mons. Coelho e o Recanto, a 12 léguas da cidade, com as moagens anuais de cana para fazer mel, rapadura e alfenin, o banho de açude, um magote de irmãos e primos, as festas da padroeira, os folguedos juninos. Uma coisa o marcou A família numerosa reunida à noite na calçada de casa de seu pai, quando se falava de tudo, e a ceia de pão de milho à luz de da luz, de farol e lamparina. Fez o curso ginasial ginásio no Colégio Diocesano no Crato, levado por seu irmão, dom Newton, de lá foi para Fortaleza trabalhar no Depósito Humaitá com seu outro irmão Nestor. Passou também na Siqueira Gurgel com seu primo Valmir. Falando que queria ir pro Sul, Nestor ainda lhe propôs montar uma loja de secos e molhados para que desistisse.

Em 8 de fevereiro de 1955, com 20 anos, tomou a decisão que mudaria sua vida, por completo, ao embarcar na companhia de dois primos, José Jácome Gurgel, e Henrique Gurgel de Souza, o Faísca, num trem que ia pro Crato, com pernoite em Iguatu. Dali, a grande aventura de 14 dias até chegar a São Paulo, de ônibus.

Foi uma viagem complicada. O ônibus, cheio até a tampa, tinha o motor na frente e era velho. Claro que diversas vezes deu o prego. A estrada era de terra, haja poeira. Todos desconfortavelmente acomodados. À noite parava. O povo dormia mal, em alojamento improvisado, homens de um lado, mulheres, de outro. Comia-se o que tinha e era muito ruim. Alguns passariam mal. Um deles de tanto pedir para que o motorista parasse para se arranjar no mato, o cabra não parou e ele fez na porta do ônibus. Pagou caro, diante dos protestos, o motorista o deixou na estrada.

Niceas, José e Henrique foram para São Paulo, via Rio. Niceas ficou em São Paulo, Foi morar numa pensão no Braz como mais três colegas.

Trabalhou inicialmente como auxiliar de caixa Hotel Central, na Avenida São João;Na maioria das vezes, por falta de dinheiro, almoçava e jantava um copo de leite. Procurou o tio Abílio Gurgel que tinha uma indústria, Tecfil, no Braz, na busca de um emprego melhor.

Henrique foi trabalhar na Mesbla no setor de entrega de pianos. Procurou então Altino Lima, de Acopiara, que chegaria ser prefeito de São Paulo, que lhe arranjou emprego na Sul Fungi, uma fundição na Lapa onde trabalhou no escritório e matriculou-se na escola de comercio da Lapa. José, com 15 anos, foi abrigar-se na casa de um tio. Depois de seis meses, foram para o Rio, morar na Rua do Resende 21, perto da Lapa boemia de Miguelzinho, Meia Noite e Edgar. José conseguiu emprego na empresa de Águas e Esgotos, Niceas numa empresa de material de construção na rua Teofilo Otoni, em São Cristovão, como auxiliar de escritório, depois no Meier, depois na Cinelândia, Gurgel na Drops Dulcora, a alegria que o paladar adora. Um primo deles, Rui, morava no Rio com uma tia trabalhava numa ótica em Cascadura, perto da Melhoral, é melhor e não faz mal, e morava com uma tia, Nos fins de semana, se reuniam também para falar de Acopiara. Logo apareceria outro primo, Teófilo, marinheiro.

Niceas continuou no Rio por cinco anos, morou na Rua do Resende e no Largo do Machado, estudou no Colégio da Fundação Getuilio Vargas e foi pra São Paulo, onde chegara de Pernambuco, seu irmão José, que se instalara na Mooca.

Trabalhou na fábrica de maquina de lavar roupa, Bendix, onde ficou cinco anos, como auxiliar de contabilidade e concluiu seus estudos de técnico de contabilidade na Escola de Comércio da Fundação Alvares Penteado.

Na Bendix, conheceu a Olímpia que lá trabalhava na mesma secção de contabilidade.

Depois de quatro anos de namoro, noivaram e casaram, em 1963, indo morar de aluguel na Rua do Oratório no Parque São Lucas, na Vila
Prudente, Depois construiu uma casa na Rua Bruno Rico, no Parque, onde viveram por 15 anos, dali mudando para a Rua Maranhão em São Caetano, no ABC. Os fins de semana eram curtidos inicialmente na Praia das Astúrias no Guarujá onde comprou e vendeu vários apartamentos, até ficar no apartamento de frente ao mar no Edifício Manihi.

Quando saiu da Bendix entrou numa baita aventura com um amigo e por pouco não se estrepou. O amigo inventou de comprar pasta de dente
no Rio e vender no Recife. Chegaram a carregar um navio de creme dental. Mas deu tudo errado. Montou então um escritório de contabilidade, a São Lucas Contabilidade, no Parque São Lucas, na Vila Prudente. Posteriormente, criou a Imobiliária São Lucas para vendas de imóveis. “Comprei um grande loteamento com cinco sócios, no Parque Edu Chaves, na Vila Maria, com três mil lotes, próximo da Fernão Dias. Nunca vi tanto dinheiro. `Pensei que estava rico.

Comprei um Le Baron, pra mim, carros para Olímpia e Carlos. Imaginei até que nunca mais acabaria o dinheiro. O terreno custara 3 milhões e apuramos mais de 60.” Gostou da ideia e fez vários loteamentos e incorporação de imóveis. Construiu mais de 20 edifícios de apartamentos. Empolgou-se.

Montou escritório de vendas de imóveis e loteamentos na Praça da Sé 64 e depois, na Praça da Sé 21.

Ousado, decidiu ser Advogado. Foi para São Carlos, fez o vestibular na Faculdade de Direito de São Carlos, da Universidade Federal, e mais tarde se transferiu para Bragança Paulista, onde graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito São Francisco. “Fui advogado de porta de cadeia, criminal, civil, mas me firmei no Direito Imobiliário, com cobranças, contratos, despejos, reintegração de posse, regularização de loteamentos, inventário.

Foram 20 anos de dedicação a advocacia”, confessa.

Casado com Olímpia Nardi, paulistana, o casal teve três filhos: Carlos Eduardo, casado com Maria Lúcia Sanvidotti, com dois filhos, Carlos Eduardo e Tamara, Maurício que faleceu prematuramente aos 25 anos em acidente de carro e Adriana, farmacêutica, casada com Rogério, com uma filha, Vitória. Carlos tinha 18 anos quando Niceas decidiu montar para ele uma lojinha para compra e venda de automóveis usados, em São Caetano. A lojinha deu certo. “Foi negócio maior do que o loteamento da Vila Maria”, diz. O diretor da GM, André Beer, chamou-o para montar uma concessionária em São Bernardo, em sociedade com um de seus filhos. O negócio cresceu graças ao trabalho, a dedicação, a agressividade, a visão de mercado.
Em pouco anos se transformou em uma rede com 20 concessionárias, distribuídas em São Paulo, Santo André, Diadema, São Caetano, São Bernardo, todo o ABC, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Campinas, Brasília.

Niceas transferiu tudo para o Carlos, que ampliou sua rede com as concessionárias, a Viamar.

Na trajetória, Niceas trocou os fins de semana no Guarujá pela Riviera de São Lourenço onde tem um apartamento de frente pro mar e por uma chácara e um sítio de quatro alqueires em Indaiatuba, na região de Campinas e atualmente uma fazenda com 30 alqueires na Cidade de Elias Fausto, próximo à Campinas, passou a contabilidade adiante, dedicou-se a advocacia só dos seus negócios e administração de Imóveis na Imobiliária São Lucas, na Vila Prudente, perto do estação do metrô. Deixou o império com Carlos, um “workalcoolic,” de 50 anos, cuja profissão é trabalho. A família curte a vida, bons vinhos, bons restaurantes, de São Paulo e da Europa. Niceas vê Acopiara pelo retrovisor, acompanhando a trajetória de irmãos longevos, quatro passaram dos 90 anos, dos primos, dos sobrinhos e dos amigos. Para não se esquecer de lá nasceu, tem parte da herança do Recanto, que é administrada por seu irmão, Napoleão. Sempre que pode vai rever a terrinha que lhe serviu de berço.
(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara) , jornalista e escritor, sobrinho.

 

Tio Nilo, poeta e contador de histórias

Por JB Serra e Gurgel (*)

Se um turista chegasse à Acopiara, anotaria no seu caderninho: “à noite, com estrelas no céu, Nilo pega uma cadeira de balanço,, bota em frente de sua casa e fica matando o tempo, na Rua Cazuzinha Marques, que já foi Santos Dumont. Quando tem parceiro, pelo menos, seu irmão, Napoleão, conversa. Quando não tem, dorme, acorda, vai lá dentro de sua casa, bebe água, volta, dorme de novo. Ressona, ronca. Não incomoda ninguém. Quando os irmãos, os filhos e os amigos aparecem, em Acopiara, não muda sua rotina ecológica. Dorme menos, porque é mestre na arte da conversa, na narração dos causos, na declamação de poesias de rima, do que houve ou deixou de haver, da repercussão dos fatos políticos, fala de si e dos outros, com a humildade dos gestos e a largueza do coração”. Pelo menos li este fragmento no caderninho de um deles, obtido por Gilson, seu filho, que mora na Costa Rica.

Aos 82 anos, tio Nilo, cujo significado é rio azul, é um dos resistentes da família Gurgel Valente que desembarcou em Acopiara em 1908 e que não migrou, como quase 90 % dos 1.600 membros da dinastia de Henrique Gurgel do Amaral Valente, nascido no Aracati, o Patriarca da família em Lages, Afonso Pena e Acopiara.

Nasceu em 1925, fez as primeiras letras com tia Lídia, irmã de seu pai, Francisco Gurgel Valente, meu avô, e em 42, com apenas 17 anos, foi para o Colégio Salesiano de Baturité. Em 44, com 19 anos, deixou os estudos de lado e abraçou as atividades comerciais, iniciando-se com seu pai, na loja Santa Terezinha, que era na Marechal Deodoro, hoje Francisco Gurgel Valente.

Teve uma infância feliz entre Acopiara e o Recanto com seus irmãos, primos e amigos como Henrique Gurgel (Henriquinho), Francisco de Assis, Teófilo Gurgel, Franciné Holanda. A adolescência lhe trouxe responsabilidade no comércio e fora dele, o álcool, cigarro e mulheres. Não jogou futebol e não se meteu na política, mas se notabilizou por suas narrativas de “causos” geralmente concluídas com paródias rimadas sobre os fatos da atualidade. Sua principal virtude era como festeiro, pé de valsa, e namorador. Corria atrás de saia como menino corre atrás de arraia.

Religioso bissexto, vestia roupa passada para ir à missa dos domingos e dias santos, oficiada pelo padre João Antonio. Sua mãe, Aurélia, minha avó, cuidava de sua relação com a igreja, a ética, moral e os bons costumes. Enquanto viva, quase sempre teve êxito.

Em 55, aos 20 anos, deixou o grupo dos solteiros e entrou para o”rol dos homens sérios”, casando-se com Maria Linda, “linda flor do sertão me apaixonei por você numa noite de São João”.

Instalou-se na mesma casa onde se encontra, ao lado da casa de seu pai, e onde morou seu irmão Neófito, antes se migrar para Fortaleza.

Em 79, aos 44 anos, com seu pai, viúvo, e de idade, assumiu a loja do qual fora empregado e sócio e mudou de nome, passando-se a chamar Casa Gurgel, nome diferente para um conjunto de várias lojas próximas, quase todas de propriedade de um Gurgel. Seus irmãos Nertan, Francisco, Nicanor, Neófito tiveram lojas. Seus primos José Tó e Antonio Tó também. No mesmo pedaço em que tiveram Antonio do Cedro, Miguel Galdino, Cícero Leite, Higino Teixeira, Pedro Alves e em frente, João Holanda, Julio Holanda, Ildefonso Ferreira de Souza, seu Pereira e Chico Rufino. Conta a lenda que Nilo é um águia nos negócios.

Para não migrar como fizeram todos os 12 irmãos, menos Napoleão, na medida em que os filhos, Carlúcio, Nilo, Meyrianne, Verônica, Gilson e Marta foram crescendo e precisando de estudos os mandava para Fortaleza, inicialmente alugando uma casa depois comprando, onde vai nem sempre.

Nilo , duro como uma rocha, sentiu muito a perda de seus avós paternos, Henrique e Joaninha, sua avó materna, Laurentina, Mãezinha, seus pais, Francisco e Aurélia, muitos de seus tios e tias, seus filhos , Nilo e Carlúcio, ambos de forma estúpida e prematura, cheios de vida. Nilo, solteiro, menino, na estrada. Carlúcio, casado, três filhos, num açude, vítima de ataque cardíaco, Todas as perdas o marcaram. A de Carlúcio marcou mais: Nilo e Maria Linda desabaram, foi uma perda muito grande, pois lhe rastreava os passos, seguia os caminhos de permanência da família Gurgel em Acopiara. Carlúcio pediu-me solidariedade na resistência, pois até seus filhos, netos de Nilo, já estudavam em Fortaleza.

Conservador, de hábitos simples, reservado, intropectivo, expande-se, quando lhe pedem para contar causas, fazer versos, exaltar suas paixões, sarrefear seus adversários.Ilumina-se, inspira-se e emboca na rima fácil. Vejamos:

Nos 90 anos de seu pai, meu avô:” O meu pai chegou aqui/ em mil novecentos e oito/ acompanhado do meu avô/ que era fornecedor/ da antiga RVC/ aqui ele quis ficar/ aqui ele quis crescer”.

A droga do cigarro: “O cigarro é uma droga/ feita do fumo industrializado/ uma parte do veneno/ no processo é retirado/ ainda fica a nicotina/ para prejudicar o viciado”.

O fim do mundo: “ O mundo está se acabando/ e aperta que tudo sente/ um a sentir quando bate/ e outro a bater quando sente/ sofre o pobre, sofre o rico/ sofre até o inocente”

O Real: “O real está concretizado/ é um dinheiro de valor/ ministro Fernando Henrique / foi ele quem o criou/ Só que ele é muito curto/ que nem pescoço de corró/ deixa muita gente invocada/ querendo vestir as calças/ no lugar do paletó”.

Lula: “Lula está todo atrapalhado/ porque está já sabia/ que o ministro Zé Dirceu/estava mesmo enrolado/Ele e José Genoino /suspeitos de falcatrua/os quais deveriam estar / era no olho da rua/ Ali formou-se uma corja/ como num jogo de azar/ e Lula com o rabo preso/com receio de falar/Pensou em fazer um giro/mas ele fez um jirau/ pois já sentiu a dor da bursite/ sentiu a pancada do pau”

Nilo , com 82 anos bem vividos em Acopiara, é uma das memórias vivas, ali presente, fincado, curtido, no dia a dia. Entre sua casa e a loja se arrasta nos seus sapatos folgados, com camisa de manga comprida por fora da calça, penso de um lado, andando de forma ritmada. É de boa paz, querido por todo mundo.Na loja, com milhares de pequenos objetos à venda, sabe localizar tudo como fosse um computador, sabe quanto custou, de quem comprou, quando comprou e quanto vai lucrar. A loja ainda tem o jeitão dos anos 50, do século passado, quando a conheci. Vende pelo caderno para os fregueses tradicionais. Nem sei como pode tirar seu sustento de lá, educar os filhos e ajudar os netos. Certamente complementado por uma aposentadoria do INSS.

Não quis trilhar o caminho de seu pai na área pública e na política, na agricultura e na pecuária. É um ser absolutamente urbano, sem titulo universitário, bem informado, atualizado, um senhor de seu tempo. Tem fama de rico sem ser. Tem fama de que pertence à elite, mas se mistura com todo mundo. Não tem olho grande nem é ganancioso. Se considera um cidadão comum, modesto, pacato, às voltas com suas fantasias, emoções, sonhos e esperanças guardadas sob sete chaves.

Tem fama de mulherengo o que tem lhe custado muitos dissabores, com a mulher e os filhos. Sempre foi a favor da pílula, da camisinha, da família e do viagra. Mas não teve filhos fora do casamento.

Curte sua casa, bem montada, inclusive em Fortaleza. Com a perda de Carlúcio, apóia sua nora , Simone, vereadora em Acopiara., e que lhe deu três netos que lhe dão forças para matar saudade, viver a vida e cumprir seu destino de um homem comum.

(*) JB Serra e Gurgel é jornalista e escritor (Acopiara).

 

Acopiara -  Nertan Holanda Gurgel. Auto retrato de um homem simples


Por JB Serra e Gurgel(*)

Meu pai está fazendo 95 anos bem vividos. Quando fez 90, em 2007, escreveu: “o que é isto? São 32 mil 872 dias e 12 horas, o mesmo número de auroras (Hoje, em 2011, quando faz 95 anos, terão sido 34 mil 675 dias). Lembro o velho sitio Recanto (de seus pais Francisco Gurgel Valente e Aurélia Holanda Gurgel) , o cantar do galo, orquestrado pelos pássaros silvestres, era um embalo. O cheiro de fumaça do bagaço de cana queimando na fornalha, ao iniciar a lida, o aboio do tangedor de bois ao redor do engenho.Tudo me cheirava bem.Até uma roupa de couro pendurada no cambito perto da minha rede  era o perfume da jitirana das quebradas da serra. Que saudades”.

(Não imaginava viver mais do que seu pai,meu avô, Francisco , nascido em 23.08.1893 e morto em 20.07.1988, com 94 anos 11 meses e 3 dias. Quando chegou aos 94,sempre que me ligava, dizia que poderia viver mais,mas teríamos que aguardar. Seu avô, meu bisavô, Henrique Gurgel do Amaral Valente, o Vovô do Rio, nascido em Aracati, Patriarca da família Gurgel do Amaral Valente de Acopiara, onde morreu, viveu 89 anos, (1865-1954), deixando cerca de 1.600 descendentes.  Hoje, é mais velho dos descendentes do Patriarca. Dois de seu irmãos, Nestor e Nicanor, passaram dos 90. Estava apenas acentuando que os padrões de vida do homem do interior melhoraram, com a água tratada,  vacinas, saneamento, educação, alimentação, moradia, renda  e solidariedade humana dos familiares)
“Nasci em Lages, depois Afonso Pena e hoje Acopiara, em 8 de junho de 1917, numa sexta-feira às 23 horas.Meu pai, senhor de engenho, foi um dos últimos coronéis do sertão que partiram desta vida.No dia 25 de agosto de 1940, contraí matrimonio com uma moça de Tauá, filha do senhor Nelson Nunes Serra e Tereza Aragão Serra. Maria Serra, como era conhecida, foi uma grande esposa, uma boa mãe, mulher de fibra, trabalhadora e de vontade própria. Eu, comerciante pobre com fama de rico.
“Em 1939, teve inicio a 2ª, Guerra que terminou em 1945.Meu capital era muito pouco e o da firma constituía-se de dinheiro do papai e dinheiro a juros de Almerinda Gurgel Guilherme (tia Neném) e da sra. Felícia Holanda Guilherme. Tinha nesse tempo em minha loja (A Casa dom Bosco na Rua Marechal Deodoro, a casa dos ricos e dos pobres...)um bom estoque de tecidos, chapéus e brinquedos (vende por preço barato, fazendas,rendas e bicos). As lojas em Acopiara eram muitas.
“Foi nessa época que o barco da vida entrou em mares agitados. Ondas gigantes, vagas profundas, vento uivantes sacudiam a nau.Por pouco não fui ao fundo.Os preços dos tecidos baixaram 40% e por isso muitos foram à falência, principalmente comerciantes de tecidos em grosso e  retalho.Somente passados quase dois anos, consegui aprumar a nau, entrando novamente em águas serenas.

“Aconteceu que Higino Alves Teixeira, cearense nascido em Acopiara, que negociava em Ipixuna, no Maranhã, veio de muda para Acopiara e montou uma loja vizinha à minha. Tornamo-nos amigos e até compadres. Conversa vai, conversa vem, acordamos em comprar arroz no Maranhão para vender no Ceará. Logo de início, tivemos bons lucros. Montamos uma usina de beneficiamento em Pedreiras, Maranhão. Chegamos a ter quase quatro mil sacas de arroz estocadas, parte paga e parte por pagar. Mas por conta do excesso de produção no Rio Grande do Sul, com incremento nas vendas para o Rio de Janeiro, os preços despencaram e o prejuízo foi arrasador: 300 mil cruzeiros (muito dinheiro na época).

‘O barco da vida, a nau que navegava em águas tranqüilas, mergulhou de vez em mares bravios. Por um momento não sabia se estava na proa ou na proa. Era como  uma cabaça deslizando em um rio caudaloso e encachoeirado . Salvamo-nos numa luta titânica, como se fôssemos turistas do transatlântico Titanic. Resolvi desistir da sociedade no Maranhão, saí de Acopiara e vim definitivamente para Fortaleza.

“A nau estava novamente em águas serenas, mas enfrentando tempestades! De inicio abri uma mercearia na Parquelândia. Não deu certo. Comprei um bar na Castro e Silva. Logo mudei de ramo e abri um restaurante. Depois passei para um açougue e , em seguida, para uma casa de peça para carros. Por último um depósito de material de construção, no bairro de Antonio Bezerra, que comprei do primo Henrique Gurgel de Souza.

“Em 1966,  minha filha Tereza ficou noiva, contraindo matrimonio no dia 31 de dezembro do mesmo ano. Para custear as despesas do casamento, vendi o depósito. Foi nessa ocasião que passei de patrão a empregado adotando a profissão de vendedor.

‘Vendia supercal, pó de pedra e granito ,minérios e calcáreos , do Sr. Amauri de Castro, tijolos furado, PM e combogós , da Cosmac de Sobral, bombas King, do Sr, Ivan de Castro, armadores de embutir do Sr, Crisanto, armadores de gancho do Sr, Zacarias, dobradiças e ferrolhos do capitão Nunes, sacos de plástico da Plastinion de São Paulo.Comecei a ganhar dinheiro. Deixei o mar das incertezas por um porto seguro. Sai do aluguel, comprei minha casa e cheguei a comprar carro zero., telefone, TV. 

“Hoje  viúvo, desde que Maria partiu, em 1995 , vivo no meu apartamento, no Montese, recebo minha modesta aposentadoria, meus dez filhos estão melhores do que eu. Uns em Fortaleza, outros em São Paulo (SP), Niterói (RJ), Linhares e Vila Velha (ES) e Macapá (AP). Tenho 30 netos 16 bisnetos . Muitos dos netos bem encaminhados, ocupando, criando, buscando seus espaços, com competência e fazendo a diferença, o que me orgulha e agradeço a Deus por tudo. Nada tenho a reclamar pois nada me falta. O que tenho para partir desta vida é suficiente.”.

JB Serra e Gurgel (Acopiara) jornalista e escritor, filho, com Nertan Holanda Gurgel (Acopiara),95  anos, uma vida de lutas, desafios,decência e dignidade.

 

Acopiara –  como nos despedimos dos que se foram

Por Jb Serra e Gurgel (*)

A  arte  de viver se contrapõe à arte de morrer.

Se eventualmente temos, nos dias de hoje, dia e hora para nascer, graças aos avanços da medicina, o mesmo não podemos dizer que temos dia e hora para morrer. Salvo por morte encomendada, uma prática que se generalizou em várias partes do mundo, civilizado ou bárbaro. Salvo por morte decretada em juízos formais e informais, seja por cadeira elétrica, fuzilamento, esquartejamento, decapitação, enforcamento, apedrejamento etc. Cabra marcado para morrer, vai pro inferno mais cedo.

Todos nós sabemos que um dia vamos  morrer. Antigamente se dizia que  somente os bons morriam cedo. Há controvérsias. Uns dão mole. Outros tentam adiar, como podem,  comendo folha, frango, peixe, fibras, fazendo exercícios ou tomando pílulas, gotas e bolinhas.

Quando nascemos, a recepção tem, na medida das posses de cada um, o  ritual que chega aos píncaros da glória. Foi-se o tempo da parteira. Não se nascia direito, era arrancado. O parto normal virou exceção. Nas maternidades, dependendo do cliente, o tratamento vai de um a mil. Podem ter médicos, enfermeiras e uma parafernália de cuidados e atenções. Os enxovais que nos recebem podem ser modestos ou suntuosos. Ao chegarmos em casa pela primeira vez, berços, mamadeiras, fraldas, babás, leite materno ou de lata, pediatras. Um luxo. Entre os pobres, mínimo do mínimo.

Muito diferente quando morremos.Nas grandes ou pequenas cidades, em hospitais, emergências, ambulâncias, macas ou em casa, vítimas de acidentes, doenças degenerativas, infecto-contagiosas, erros médicos, filas de transplantes etc.

Até aqui escrevi em tese, para propor uma reflexão como nos despedimos dos nossos mortos em Acopiara, a 360 km de Fortaleza, com seus 48 mil vivos, 20 mil penando no mundo, e 200 mil entre o céu, o purgatório e inferno.

Recordo-me que na década de 40 e 50 ,ainda não havia hospitais,  as pessoas morriam em suas casas, cercados de seus entes queridos. O processo da agonia era doloroso, até o último suspiro.

Sabíamos quando alguém morria porque a energia elétrica ficava ligada toda a noite. Na manhã, os alto-falantes da VPS anunciavam a morte e convidavam para o enterro

O velório acontecia em casa, tudo muito fúnebre. O luto começava ali. A pratica  continua viva e atual. Ainda em julho último, constatei.

Os abastados eram sepultados em caixões, geralmente discretos, realizando-se uma procissão entre a casa e a Igreja para um ato religioso e dali para o cemitério, onde eram enterrados no jazigo da família.O sacristão tocava o sino acompanhando o cortejo entre a Igreja e o cemitério.

Os desfavorecidos, da cidade,  eram sepultados  no “caixão das almas”, do Círculo Operário, reutilizável, que ia da casa para a igreja e dali para a cova rasa no cemitério, em cortejo, mas sem sino  e, dos sítios, vinham na “rede das almas”, também reutilizável, trazida em cortejo, passavam pela igreja e iam para a cova rasa. Há décadas que o tempo de permanência não chega a dois meses. Findo o prazo, os restos são recolhidos ao ossário e o espaço é reocupado por algum falecido que entrou em óbito.

Houve um tempo em que a previdência social pagou auxilio funeral, com o objetivo de dar dignidade só aos seus segurados mortos. Mas foi tão grande a corrupção dos vivos que o morto perdeu o auxílio. Desde então,  o prefeito de plantão e os políticos da cidade e região são convocados para pagar o enterro.E se não pagam perdem votos, são execrados.

Sim, o crematório não chegou à Acopiara.

Conta a lenda que nos velórios aconteciam coisas impossíveis de se imaginar. As jovens  viúvas, por exemplo, eram cumuladas de pêsames,  atenções e olhares. O mesmo acontecia com  jovens viúvos. Ambos guardavam luto fechado e praticavam a abstinência sexual. Se fossem feios, o prazo alongava e o jejum também.

Nos tempos atuais, as coisas mudaram muito.

Velório tem, luto acabou. As funerárias e os papa defuntos entraram em cena. Acopiara tem três funerárias e nenhum papa defunto, mas o mercado trouxe a concorrência e junto chegou o tal de Marketing O falecido é um produto que merece atenção.

Todas instituíram o carnê da morte  ou vale defunto ou bolsa falecido. O cidadão vivo paga uma mensalidade de R$ 10,R$ 20 ou R$ 30 e assegura alguns direitos e sua cidadania de morto.

Chamou-me a atenção o conteúdo do kit: caixão popular, nada de luxo ou superluxo, aí tem taxa extra para frisos prateados e dourados e entalhamento, mortalha para homem (camisa grande e calça folgada)  ou mulher (camisolão rosa ou azul), higiene pessoal como banho, unhas cortadas, barba feita (se for homem), cabelo penteado, calçado, um  pouco de flores. Isto para o defunto. Para o velório:  dois pacotes de bolachas, , dois  de macarrão e l kg de carne moída para sopa e 250 gramas (uma quarta) de café em pó. Isto para os urbanos e rurais até  de 50km da cidade. Para os da cidade tem ainda um balde de sopa, de cinco litros, para segurar os que estão pranteando o falecido.

Mas Acopiara ainda não tem capela mortuária ou salão para velórios. Falta pouco para que isso aconteça. Até sugeri que pedissem ao SENAC ou ao  Fome Zero  um curso de carpideira para que haja um pouco de choro. Já não se pranteia os  mortos como antigamente. Choro com emoção forte, hoje,  só dos familiares das vítimas das chacinas e de enchentes, nos grandes centros ou dos ganhadores e perdedores, nas Olimpíadas de Pequim, no Jornal Nacional.

Nas funerárias, há estórias inacreditáveis. Há poucos meses, uma família de Iguatu foi a Acopiara comprar um caixão para enterrar a perna amputada de uma senhora. Não queriam que  ninguém de Iguatu soubesse. Mas queriam um caixote. Depois de ampla negociação, a perna veio do Iguatu e foi enterrada num caixão em Acopiara. Um mês depois, a senhora faleceu. A família voltou à Acopiara e comprou outro caixão e pediu que fosse providenciado o enterro.  Acomodada numa noite no caixão, o empregado da funerária notou algo diferente, na hora do fechamento no dia seguinte .Foi discretamente informado de que a família fora a Acopiara resgatara o que restara da perna e a colocara dentro do caixão para que a falecida  a levasse para a eternidade. É verdade.

Nos tempos chaplinianos, o velório tem de tudo. Não é só sopa, bolacha e café.Tem também televisão ligada, rádio de pilha,  revista de fuxico e aquela que matou o guarda, sorvida em copinhos de plástico para espantar  o sono. Tem também altos papos sobre as virtudes dos mortos, escassas ou caudalosas,  ou e as glórias dos vivos. Há caras e bocas, flertes e olhares.

(*) JB Serra e Gurgel, ( Acopiara), jornalista e escritor.

Descendentes de Francisco Gurgel Valente e
Aurélia Holanda Gurgel

       AURÉLIA HOLANDA GURGEL
Filha de Francisco Holanda Cavalcante Júnior (xxxx-xxxx) filho de:filho de Ildefonso Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx) e Maria Holanda Moreira (xxxx-xxxx)
       Laurentina Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx) filha de Ananias Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx) e Vitória Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx).ambos nascidos em Aracati-CE
       Por morte de seus pais, Laurentina foi morar com seus tios Clara Holanda Cavalcante e Cristovão Holanda Cavalcante. Conhecida por “Mãezinha”, casou-se aos 14 anos.
       Júnior era seu primo e tinha como irmãos:Cristóvão, Severo, Pedro Antônio, Belisarina, Emanuela, Diolinda e Ildefonso.
       Laurentina e Júnior tiveram os seguintes filhos:

I - Clara Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx)
C - Raimundo Fernandes (xxxx-xxxx)
S – Maria Clarra (xxxx)
S – Bastos (xxxx)
S – Adalgisa (xxxx)
S – Terezinha (xxxx)
S – Maria de Jesus (xxxx)
S – José (xxxx)
S – Raimundo (xxxx)
S – Francisco (xxxx)
I – Ananias Holanda Cavalcante
C – Joana Leandro de Souza (xxx)
I –Vitória Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx)
C – Ananias Holanda Alves
S - Alaíde
S – Anísio
S – Marisa
S – Perpétua
S- Nilo
S- Agenor
I - Maria Holanda Cavalcante (xxxx-xxxx)
C – Eduardo Holanda Alves
I -Ananias Neto (xxxx-xxxx)
1.F - Francisco Gurgel Valente (23.08-1893-20-07-1988) Comerciante, Agricultor, Chefe Político.
C - Aurelia Holanda Gurgel (25.03.1897-10.05.1966) Do lar.
1.N - - Nertan Holanda Gurgel (08/06/1917) - Comerciante
C - Maria Nielsen Serra e Gurgel (13/05/1919-08/12/1995) – Do lar (In memoriam)
1.B – João Bosco Serra e Gurgel (22/03/1943) Graduado em Ciências Sociais, Jornalista, Professor da Universidade
de Brasília
C – Marilia Mattos Dias Serra e Gurgel (05/03/1947-) Advogada, Procuradora Federal
1 .Tr - Ivana Marilia Mattos Dias Serra e Gurgel (28/12/1968-) Engenheira Química, Diplomata, 2ª Secretária
C – 1as. Núpcias – Mario Antônio de Araújo – Graduado em Letras, Diplomata, 1° Secretário
1.Te – Rafaela Serra e Gurgel Teixeira Leite (18/09/2000)
2. Tr – João André Mattos Dias Serra e Gurgel (25/09/1970) Médico Cirurgião Vascular e Capitão Médico do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro
C – Kátia Christine Lobo Izay e Gurgel (17/01/70) Médica Pediatra, Intensivista Pediátrica
1.Te – João Eduardo Izay e Gurgel (10/10/1997)
2.Te – João Gabriel Izay e Gurgel (05/08/1999)
3.Tr– Illyana Marilia Mattos Dias Serra e Gurgel (10/08/1988) Universitária de Direito
2.B – Tereza Neumann Serra e Gurgel (06/07/1944) Do lar
C – Glauton Gomes Gurgel (10/03/1946) Bancário
4.Tr – Glauton Gomes Gurgel Filho (05/12/1968 ) Bancário
C – Marta Helena Oliveira Gurgel (22/03/1981) Do lar
4.Te – Glauton Gomes Gurgel Neto (29/05/2004)
6.Tr – Glaucivan Gomes Gurgel (26/09/1973) Nutricionista
7. Tr – Germano Gomes Gurgel (23/08/1978) Engenheiro Agrônomo
5.Te – Yohana Maria Maia Gurgel (08/06/1994)
6. Te – Adricia Germana Brasil de Oliveira Gurgel (08/07/1995)
3.B - Nelson Serra e Gurgel (29/08/1945) Jornalista, Médico Otorrino
C - Maria Glorinha Caliman e Gurgel (03/12/1947) Graduada em Artes
8.Tr – Maria Juliana Caliman e Gurgel (08/07/1974 ) Médica Otorrino
9.Tr – Massimo Nelson Caliman e Gurgel (05/03/1976) – Médico Ortopedista
10.Tr – João Daniel Caliman e Gurgel (11/12/1978 ) Médico Otorrino
4.B – Maria de Fátima Gurgel Teixeira (06/06/1947) Advogada, Graduada em História, Funcionária Pública
C – Luismiran Teixeira Miranda (13/08/1945) Funcionário Público Estadual, Vereador em Porteiras/CE (2002/2006)
11.Tr – Márcio Miranda Teixeira Gurgel (29/04/1979) Universitário de Fisioterapia
7.Te – Marcio Miranda Teixeira Gurgel Filho (03.01.2005)
C –Ana Paula Sidrack
12.Tr – André Teixeira Gurgel(20/04/1981) Universitário de Telecomunicações
13.Tr – Henrique Teixeira Gurgel (06/02/1984) Estudante
5.B –Francisco Aurélio Serra e Gurgel (27/08/1948 ) Comerciante
C - 1as. Núpcias - Karin Roeder Gurgel (17/08/1946) - Do lar
14.Tr -Marcos Aurélio Roeder Gurgel (05/12/1968) Editor de Imagem, Som e Vídeo
C – Maria Isolete Nicoletti Roeder Gurgel (xxxx) Do lar
8.Te – Lucas Roeder Gurgel (24/01/1994) Estudante
15.Tr - Tatiana Roeder Gurgel (13/08/1976) Pedagoga, Pós Graduada em Psicopedagogia
9.Te - Gustavo César Gurgel Threiss (02/04/2003)
16.Tr – Camila Roeder Gurgel (09/05/1979) Técnica de Contabilidade
C - 2as. Núpcias - Tânia Pitelli - Corretora de Imóveis
17.Tr – Andréa de Lucy Pitellli Gurgel (24/11/1987) Estudante
10.Te – Luan Pitelli Gurgel Gomes (27/05/2005)
6.B – José Nilton Serra e Gurgel (17/11/1949) Comerciante
C – Francisca Leda Barros Gurgel (xxxx) Do lar
18.Tr – Vanusa Maria Barros Gurgel (31/08/1968) do lar
11.Te – Michelle Cristina Gurgel de Lima (03/01/1988)
19.Tr - Vanessa Maria Barros Gurgel (17/02/1974 ) Advogada
C – Valério Zanoni Gonçalves (09/04/1969) Empresário
12.Te – Isabela Gurgel Zanoni (29.02.2006)
20.Tr – Nilsen Maria Barros Gurgel (30/11/1985) Estudante
7.B – Antônio Jesualdo Serra e Gurgel (02/02/1952) Empresário
C – Marly Crisóstomo Gurgel (19/03/1950) Professora
21.Tr – Nertan Crisóstomo Gurgel (15/10/1981) Estudante
13.Te - Paulo Rodrigues Matos Gurgel (14/05/2004)
22.Tr - Daniel Crisóstomo Gurgel (25/09/1987) - Estudante
8.B – Maria do Socorro Gurgel Serra (06/03/1956) Advogada, Promotora Pública
23.Tr – Geórgia Gurgel Marinho (16/07/1983) Universitária de Comunicação Social - Jornalismo
24.Tr – Felipe Gurgel Serra de Alencar (12/07/1993) Estudante
9.B – Maria Lúcia Gurgel Serra (13/02/1958) Do lar
25.Tr – Bruno Evelan Gurgel Serra Marinho (01/06/1985) Estudante
26.Tr – Lucas Evelan Gurgel Serra Marinho (28/08/1988) Estudante
27.Tr – Melina de Fátima Gurgel Serra Marinho (27/04/1992) Estudante
10.B – Márcia Maria Gurgel Serra (06/10/1960) Enfermeira
28.Tr – Iale Gurgel Borges (29/05/1979) Universitária de Administração
C– Gervânio da Silva Machado (11/06/1976) Engenheiro Civil
14.Te – Yasmin Gurgel Borges Machado (11.08.2004)
29.Tr – Aline Gurgel Borges (09/11/1981) Universitária de Administração
2.N – Nestor Holanda Gurgel (06/09/1918) - Comerciante
C – Maria Margarida Mota Gurgel (06/11/1928) - Do lar
11.B – José Mota Gurgel (08/03/1948) - Farmacêutico
C – 1ª.s Núpcias – Fátima Sobreira Gurgel 04/02/1953 - Comerciante
30.Tr – Juliana Sobreira Gurgel (02/10/1980) - Universitária
31.Tr – Pedro Henrique Sobreira Gurgel (17/07/1983) - Universitário
C – 2as. Núpcias – Francisca Francilene Dias de Souza Gurgel (06/08/1967) - Farmacêutica
32.Tr – Rebeca Dias Gurgel (09/11/2002)
12.B - Francisco Mota Gurgel (27/08/1949) - Engenheiro Civil
C – Maria Vânia Gurgel Medeiros (Lucimary) (03/01/1949-04.09.2005) Graduada em Letras In memoriam -
32.Tr – Lara Gurgel Medeiros (30/09/1981) - Universitária de Serviço Social
C - Marcel Cordeiro Bezerra (15/07/1980) - Jornalista
15.Te - Laís Gurgel Bezerra (02/02/2002)
33.Tr - Liana Gurgel Medeiros (25/09/1984) - Universitária de Turismo
13.B – Nestor Gurgel Júnior (18/071953) - Comerciante
C – Regina Maria Pimentel Matos Gurgel (28/07/1952) - Do lar
34.Tr – Renata Kelly Matos Gurgel (11/02/1980) - Universitária
35.Tr – Fernanda Kelly Matos Gurgel (02/08/1985) - pré-universitária
14.B – Maria de Fátima Gurgel Mota (15/03/1955) - Administradora de empresa
C – 1ª Núpcias - José Leônidas Alves - Médico, comerciante
36.Tr – José Leônidas Alves Júnior (04/01/1983) - Universitário
37.Tr – Lívia de Freitas Gurgel Alves (30/08/1985)- pré-universitária
38.Tr – Fabrício de Freitas Gurgel Alves (30/07/1987) - Estudante
15. B – Newton Mota Gurgel (17/10/1960) - Comerciante
C – Míriam Menezes de Araújo Gurgel (15/09/1985) - Do lar
39.Tr – Newton Mota Gurgel Filho (17/09/1985) - pré-universitário
16.B – Maria Tatiana Gurgel Mota (29/08/1967) - Psicóloga
C – Alexandre Rondinely Queiroz Paulino (xxxx) - Técnico em eletrônica
40.Tr – Alexandre Rondinely Gurgel Queiroz (30/04/2000)
41.Tr – Newton Paulo de Tasso Mota Gurgel (26/07/1970) - Gerente de Projeto
C – Ivelise Santos Muniz Gurgel (13/10/1974) - Terapeuta Ocupacional.
3.N – Nicanor Holanda Gurgel (12/10/1919) - Comerciante
C – Maria Vilalba Gurgel de Oliveira (09/11/1924) - Comerciante
17.B – Maria Gurgel Magalhães (11/11/1946) - Médica Pediatra
C – José Franco Magalhães (06/05/1941) - Médico Endocrinologista
42.Tr – José Franco Gurgel de Magalhães (25/10/1973) - Médico Radiologista
43.Tr – Lylian Dayse Gurgel de Magalhães (23/08/1976) - Administradora de Empresa, Empresária
44.Tr – Rodrigo Gurgel de Magalhães (11/11/1980) - Universitário de Direito
18.B – Auxiliadora Gurgel Menezes (24/05/1948) - Pedagoga
C – Francisco Cunha Menezes (26/08/1946) - Contador (In memoriam)
45.Tr – Sergio Ricardo Gurgel Menezes (28/04/1974) - Universitário de Computação
C – Vânia Cristina Colaço Gurgel (31/08/1970)
16.Te – Paulo Rogério Gurgel Menezes (09/08/1997)
19.B– Francisca Noelia Gurgel Alves (17/03/1951) - Farmacêutica
46.Tr – Francyelle Gurgel Estrela Castro Alves (04/10/1982) - Universitária de Psicologia
C – Rafael Estrela Castro Alves (16/04/1980) - Universitário de Direito
17.Te – Ana Cecília Castro Alves Gurgel (11/02/2003)
47.Tr – George Gurgel Gondim (08/01/1990)
20.B – Maria de Fátima Gurgel Alves (25/11/1953) - Comerciária
48.Tr – Sidney Gurgel Brasil (18/08/1971) - Agente Comercial
C – Elisângela Lima de Souza (05/04/1974)
18.Te – Vanessa Pimentel Gurgel (26/07/1991)
19.Te – Rafael Pimentel Gurgel (25/05/1996)
20.Te – Valeska Santiago Gurgel Brasil (09/10/1997)
21.B – Nicanor Gurgel Filho (10/09/1995) - Médico Pediatra
C – Maria de Fátima de Freitas Menezes Gurgel (12/06/1960) -m Assistente Social
49.Tr– Gisele Loureiro Gurgel (05/06/1982) - Universitária de Engenharia de Produção e Engenharia Macatrônica
22.B – Francisco Gurgel Valente Neto (08/05/1960) - Matemático e Fazendário
C – Daniele Brito Amora (25/12/1976) - Comerciante
21.Te – Dawis Gurgel Fonsêca (07/01/1987)
22.Te– Jéssica Gurgel Fonsêca (07/08/1991)
23. B – José Alves Neto (29/03/1965) - Médico Psiquiatra
4.N - Francisco Holanda Gurgel (26/02/1921-03/03/2007) - Comerciante aposentado.(In memoriam)
C - Francisca Medeiros Gurgel (10/11/1927) - Comerciante aposentada.
24.B - Antônio Medeiros Gurgel (Auriberto) ( 08/12/1943) -Estatístico
C - Juditti Ripardo Cunto Gurgel (04/07/1946) - Funcionária Pública municipal, aposentada
50.Tr - Francisco Ângelo Cunto Gurgel (18/04/1980) – Advogado, Delegado da Polícia Federal
51.Tr - Auriberto Cunto Gurgel (03/01/1983) - Universitário de Turismo
25.B - Francisca Gurgel Moreira (Leinha) (07/01/1945) - Assistente Social
C -Francisco Cláudio Moreira (17/06/1945) - Engenheiro Eletricista
52.Tr - Diana Cláudia Gurgel Moreira (14/08/1971) - Engenheira Civil e Advogada
C - Clodoaldo Furtado da Costa Neto (11/04/1969) - Advogado
Te.23 - Cláudio Castelo Branco Gurgel ( 30/11/1998) - Estudante
Te.24 - Daniel Gurgel Moreira (03/08/1974) - Analista de Sistema
C - Vitória Beatriz da Cunha Cavalcanti Moreira ( 28/11/1974) - Pedagoga
Te.25 - Nicole Gurgel da Cunha Cavalcanti Moreira ( 21/08/1999)- Estudante
26.B- Lúcia Gurgel Nogueira (Vera) (13/05/1946) - Pedagoga
C - José Mauro Alves Nogueira (19/09/1945) - Médico Veterinário
53.Tr - Daniela Gurgel Nogueira (03/12/1973) - Contadora
C - Francisco José Feijó Bezerra (05/11/1967) - Operador de equipamentos eletrônicos
26.Te - Pedro Gurgel Nogueira Feijó ( 01/04/1997) - Estudante
27.Te - Gabriela Gurgel Nogueira Feijó (10/06/1999) - Estudante
54.Tr - Juliana Gurgel Nogueira (17/06/1975) - Pedagoga
C - Francisco de Assis Vasconcelos Silveira (11/01/1975) - Empresário de auto-escola
28.Te - Iuri Nogueira Silveira (14/10/2002)
27.B - Francisco Gurgel Medeiros (21/09/1947) - Médico
C - Maria Laura Teixeira Gurgel (26/10/1951) - Contadora
55.Tr - Lorena Teixeira Gurgel (06/12/1975) - Odontóloga
56.Tr - Nívea Maria da Silva Mota (07/06/1976) - Universitária de Pedagogia
C - Leonardo Coelho Mota (.12/11/1977) - Técnico em computação
29.Te - Mateus Silva Coelho Mota (23/07/1997) - Estudante
30.Te - Lucas Silva Coelho Mota (10/06/2002)
57.Tr - Elano Teixeira Gurgel (16/04/1977) - Engenheiro Civil
58.Tr - André Teixeira Gurgel (21/06/1980) - Advogado
28.B – Maria Vânia Gurgel Medeiros (Lucimary) (03/01/1949- 04/09/2005) - Graduada em Letras (In memoriam)
C - Francisco Mota Gurgel (27/08/1949) - Engenheiro Civil
59.Tr – Lara Gurgel Medeiros (30/09/1981) - Universitária de Serviço Social
C - Marcel Cordeiro Bezerra (15/07/1980) - Jornalista
31.Te - Laís Gurgel Bezerra (02/02/2002)
60.Tr - Liana Gurgel Medeiros (25/09/1984) - Universitária de Turismo
29.B – Jerusalina Gurgel Barreto ( 26/01/1952) - Advogada
C - Francisco de Lima Barreto (04/10/1950) - Desenhista
61.Tr - Tácio Gurgel Barreto (15/10/1977) - Advogado
62.Tr - Caroline Gurgel Barreto (18/02/1980) - Universitária de Administração
33.Te – Beatriz Gurgel Barreto Cavalcante (31/08/1999) - Estudante
30.B — Angela Maria Gurgel Pinto (07/05/1953) - Contadora
C - José Juciê da Cunha Pinto (02/09/1949-14/01/2008) - Contador (In Memoriam)
63.Tr – Juciana Gurgel Pinto (02/05/1980) - Jornalista
64.Tr – Felipe Gurgel Pinto (16/03/1983) - Universitário de Comunicação Social – Jornalismo
31.B –Lúcia Vanda Gurgel Diniz (01/03/1955) - Enfermeira
C - Evandro Gonçalves Diniz (30/06/1942) - Médico
65.Tr - Lívia Gurgel Diniz (02/12/1983) - Universitária de Nutrição
66.Tr - Dimitri Gurgel Diniz (26/06/1985) - Universitário de História e Comunicação Social
32.B - José Paulino Cavalcante (14/08/1967) - Comerciante
C - Maria Aparecida Rodrigues Cavalcante (09/06/1965) - Universitária de Pedagogia
67.Tr – Joyce Rodrigues Cavalcante (05/03/1989) - Estudante
5.N – Neon Holanda Gurgel (21.06.1922) - Agricultor
C – Maria de Lourdes Fernandes Gurgel (24.12.xxxx) - Do lar
33.B – Maria do Socorro Gurgel Fernandes (12.02.1949) - Professora
68.Tr – Andreza Gurgel Fernandes (04.07.1981) - Estudante pré-universitária
34.B – Neon Gurgel Filho (02/02/1950) - Professor
C – Rosa Lídia Andrade Ferreira Gurgel (10/10/1960) - Universitária de Pedagogia
69.Tr – Márcio de Sousa Gurgel (07/07/1978) - Professor Universitário de História
C – Robéria Lopes Almeida (3.6.1983) - pré-universitária
34.Te – Márcio de Sousa Gurgel Filho (14/08/2002)
70.Tr – Marcelo de Sousa Gurgel (24/06/1980) - Estudante pré-universitário
71.Tr – Débora de Sousa Gurgel (22/12/1981) - Estudante pré-universitário
72.Tr - Lucas Tadeu Andrade Gurgel (19/11/1987) - Estudante
73.Tr – João Vitor Andrade Gurgel (25/07/1994) - Estudante
35.B – Neófito Gurgel Fernandes (02/02/1950) - Contador e Professor
C – Maria Helena de Sousa Gurgel (29/11/1953) - Contadora
74.Tr – Waleska de Sousa Gurgel (30/07/1979) - Universitária de Direito
75.Tr – Wagner de Sousa Gurgel (21/03/1986) - Estudante pré-universitário
36.B – Ilma Gurgel Fernandes (02/10/1952) - Aposentada
76.Tr – Marcos Venício Gurgel Fernandes (22/11/1986) - Estudante
37.B – Lúcia Gurgel Borges (30.10.1954) - Enfermeira
C – Adalto Ferreira Borges (06.01.1951) - Gerente Administrativo
77.Tr – Joyce Fernandes Gurgel (19.07.1978) Publicitária
78.Tr – Carlos George Fernandes Gurgel Borges (08.05.1981) - Universitário de Direito e Ciências Contábeis
38.B – Ananias Gurgel Figueiredo (05/12/1961) - Industriário
C – Ilda Gonçalves Gurgel (11/02/1954) - Do lar
79.Tr – Pedro Henrique Gonçalves Gurgel (22/02/1984) - Estudante
80.Tr – Pedrita Rose Gonçalves Gurgel (08/04/1988) - Estudante
40.B – Aurélia Figueiredo Gurgel (20/08/1960) - Funcionária Pública e Pedagoga
C –Antônio José Madeiro Chaves (09/08/1962) - Comerciante
81.Tr – Levy Gurgel Chaves (17/05/1997) - Estudante
82.Tr – Lívia Gurgel Chaves (25/09/1999) - Estudante
41.B – Rita de Cássia Gurgel Figueiredo Nogueira (22/08/1964) - Supervisora Administrativa
C – Carlos Alberto Nogueira (2410/1958) - Comerciante
83.Tr – Pedro Luís Gurgel Nogueira (16/09/1998) - Estudante
42.B – Nilton Gurgel Figueiredo (22/08/1964) - Funcionário público, Universitário de Direito
C – Márcia Maria Pontes Gurgel (13/05/1967) - Comerciária e Pedagoga
84.Tr – Gabriel Pontes Gurgel (14/11/1996) - Estudante
85.Tr – Davi Pontes Gurgel (05/05/2000) - Estudante
43.B – Francisca Meire Fernandes Gurgel (30/10/1968) - Do lar
C - José Lauro dos Santos Filho (02/05/1964) - Representante Comercial
86.Tr – Thiago Gurgel Santos (05/09/1991) - Estudante
87.Tr – Tatiana Gurgel Santos (15/09/1995) - Estudante
44.B – Rozana Gurgel dos Santos (21/01/1970) - Balconista
C - Francisco Sérgio Alves dos Santos (04/09/1967) - Cinematográfico
6.N – Neófito Holanda Gurgel (21/06/1922- 10/01/1992) - Empresário, (In memoriam)
C – Maria Aurila Holanda Gurgel (10/12/27) - Do lar.
45.B – Maria Aparecida Holanda Gurgel (07/10/47) - Pedagoga, Especialista em Tecnologias Educacionais
e Técnica em Educação da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza.
46.B – Holandina Holanda Gurgel (16/03/49) - Técnica de Nível Médio da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza.
C – Justo Pinho Pessoa (04/09/47) - Vendedor Autônomo.
88.Tr – Jorge Luiz Gurgel de Pinho Pessoa (27/11/69) - Vendedor Autônomo.
C – Adriana Pozza (12/10/69) - Secretária Executiva.
35.Te – Lívia Nadian Pozza Pessoa (17/10/92) - Estudante.
36.Te – Lucas Nathan Pozza Pessoa (22.05.95) - Estudante.
89.Tr – Ricardo Gurgel de Pinho Pessoa (30/10/73) - Analista de Sistemas.
90.Tr – Cristiano Gurgel de Pinho Pessoa (25/12/76) - Técnico de Nível Médio da Secretaria Municipal de
Saúde de Fortaleza.
47.B – Maria Lúcia Gurgel Pereira (05/04/53) - Advogada da União, Procuradora Chefe Substituta da Seccional
de Joinville.
C – Celso José Pereira (10/11/52) - Advogado, Procurador Geral do Município de Joinville.
91.Tr – Carlos Henrique Gurgel Pereira (31/10/79) - Administrador de Empresas.
92.Tr – André Luiz Gurgel Pereira (31/10/79) - Advogado.
93.Tr – Daniel Felipe Gurgel Pereira (24/11/81) - Estudante de Administração de Empresas e diretor presidente
da Gurgel Imobiliária.
48.B – Carlos José Holanda Gurgel (20/04/54) - Engenheiro de Processamento Químico da PETROBRÁS
C – Ana Lúcia Herbster Gurgel (15/03/61) - Do lar.
94.Tr – Carlos Eduardo Herbster Gurgel (15/12/83) - Estudante de Ciências da Computação.
95.Tr – Mariana Herbster Gurgel (24/01/89) - Estudante.
49.B – Paulo Roberto Holanda Gurgel (09/06/62) - Psicólogo e Prof. Doutor da Faculdade de Educação da
Universidade Federal da Bahia.
7.N – Dom Newton Holanda Gurgel (01.11.1923) - Bispo Emérito do Crato
8.N – Nilo Holanda Gurgel (30/06/1925) - Empresário
C – Maria Linda Silva Gurgel (18/01/1934) - Do lar
50.B – Carlúcio Gurgel Silva (01/08/1956-03/08/2002) - Comerciante, Engenheiro Agrônomo (In memoriam).
C – Maria Simone Félix Gurgel (29/01/1966) – Professora, Diretora de Escola, Vereadora do Município de Acopiara.
96.Tr – Rafael Félix Gurgel (29/01/1987) - Estudante
97.Tr – Rodrigo Félix Gurgel (01/08/1989) - Estudante
98.Tr – Carlúcio Gurgel Silva Filho (25/04/1994) - Estudante
51.B – Nilo Holanda Gurgel Filho (09/02/1958-06/07/1989) ((In memoriam))
52.B – Meirilane Gurgel Silva Aguiar (12/01/1959) - Empresária
C – Francisco Aguiar Pinto (05/02/1955) - Bancário
99.Tr – Luana Gurgel de Aguiar (07/02/1981)
100.Tr – Sâmara Gurgel Aguiar (18/11/1985) - Estudante
101.Tr - Bruna Gurgel Aguiar (22/08/1988) - Estudante
53.B – Verônica Gurgel Silva (05/02/1962) - Enfermeira
C – Vagner Freire Gonçalves (18/06/1958) - Médico Obstetra
102.Tr – Deborah Gurgel Freire (12/01/1986) - Estudante
103.Tr – Patrício Gurgel Freire (21/08/1988) - Estudante
104.Tr – Ana Beatriz Gurgel Freire (19/08/1996) - Estudante
54.B – Gilson Gurgel Silva (21/10/1965) - Graduado em Ciências Contábeis, Empresário
C – Fabiana Alencar (xxx) - Professora
105.Tr – Gabriela Alencar Gurgel (xxxx)
55.B - Marta Neiva Silva Gurgel (22/10/1969) - Universitária
C – Stênio Muniz Borges (xxxx)- Comerciário
106.Tr – Stephany Gurgel Muniz (xxxx
9.N – Maria Leônia Gurgel de Souza (24/01/1927) Do lar
C - Valmir Gurgel de Souza (27/07/1927) - Oficial da RR da Marinha
56.B – Abelardo Gurgel de Souza (28/11/1953) - Servidor público Estadual
C – Angélica Alves Gurgel (01/12/1955) - Do lar
107.Tr – Leônia Ádria Gurgel Moura (10/10/1976)
C – Elizado Soeiro Moura (15/07/1968) - Vigilante
37.Te – Esly Álvaro Gurgel Moura (04/07/2000)
107.Tr – Laudicéia Alves Gurgel (17/09/1978) - Estudante
108.Tr - Leodênis Alves Gurgel (17/07/1981) - Estudante
109.Tr – Abel Lucas Alves Gurgel (18/04/1992) - Estudante
57.B – Humberto Gurgel de Sousa (12/09/1955) - Servidor Público Estadual
C – Jacqueline Maria Cruz Gurgel (14/03/1961) - Nutricionista
38.Te - Rennan Cruz Gurgel (25/07/1989) - Estudante
110.Tr – Matheus Cruz Gurgel (21/09/1993) - Estudante
58.B – Roberto Gurgel de Souza (05/12/1956) - Servidor público Estadual e Comerciante
C – 1as. Núpcias - Fátima Socorro Gonçalves Pereira Gurgel (18/10/1955) - Servidora Pública Estadual
111.Tr – Juliana Gonçalves Gurgel (08/11/1981) - Estudante
C – 2as. Núpcias – Osilene Alves Loiola (14/07/1974) - Comerciária
112.Tr – Isabela Loiola Gurgel (13/09/1999) - Comerciária
C – 3as. Núpcias – Claudia Milane de Souza (27/10/1966) - Comerciária
113.Tr – Roberto Gurgel de Souza Filho (19/06/1994) - Estudante
114.Tr - ‘Priscila Milane Holanda Gurgel (26/12/2001)
59.B – Gilberto Gurgel de Souza (08/08/1961) - Vigilante
C – Hérica Georgiana Girão de Souza (22/08/1974) - Autônoma
115.Tr – Jennifer Kelly Girão de Souza (20/01/1992) - Estudante
116.Tr – Gabriely Girão de Souza (14/05/1998) - Estudante
60.B – Aurélia Gurgel de Souza (12/10/1971) - Graduada em Geografia
C – Antonio Marcio Ferreira Sampaio (17/03/1978) Artesão
10.N – José Holanda Gurgel ( 04/10/1928- ) - Médico-Veterinário, Cirurgião Dentista
C – Jusiara de Araújo Holanda Gurgel (04/07/37) - Farmacêutica-Bioquímica, Profa.MS em Análises Clínicas
61.B – Newton de Araújo Holanda Gurgel (22/02/1959) - Cirurgião Dentista-Professor. MS em Prótese Dentária
C - Ana Paula Ariano Gurgel (11/11/1967) - Farmacêutica-Industrial
62.B – Jônia Gurgel Moraes (08/01/1963) - Farmacêutica Industrial, Homeopata
C – Rubens Rodrigues de Moraes Júnior (19/07/1960) - Farmacêutico-Bioquímico
117.Tr – Amandha Gurgel Moraes (24/03/1991)
118.Tr – Letícia Gurgel Moraes (27/12/1994)
63.B - Júlio de Araújo Gurgel (20/11/1964) - Cirurgião Dentista , Prof. Doutor em Ortodontia
C – Ligiane Aparecida Korsune Gurgel (29/10/1977) - Farmacêutica- Especialista em Saúde Pública
119.Tr – Ana Luiza Korsune Gurgel(19/06/2000)
120.Tr – Gustavo Korsune Gurgel ( 08/05/2002)
64.B–Joyce Gurgel Terra (16/09/1967)-Médica Pediatra–Intensivista Pediátrica (UTI pediátrica)
C – William Terra de Oliveira (13/09/1966) - Promotor de Justiça- Prof. Doutor
121.Tr – Daniel Gurgel Terra (21/02/2000)
11.N- Luis Holanda Gurgel (23/09/1930) - Empresário
C- Lisete Murta Gurgel (30/03/1936) - Advogada
65.B- Luis Enéas Murta Gurgel (17/02/1966) - Advogado
C- Deidre Maria Monte Santo (12/01/1970) - Administradora Hospitalar
122.Tr- Enéas Santos Gurgel ( 23/11/2000)
66.B- Francisco Luis Murta Gurgel (02/05/1968) - Empresário, Administrador Financeiro
C- Liana Nara Campelo Gurgel (22/08/1971) - Técnica em Administração de Empresa
123.Tr – Lisiane Nara Campelo Gurgel (09/09/1993) - Estudante
124.Tr – Lidiane Edwirges Campelo Gurgel (28/02/2003)
67.B- Heloisa Aurélia Murta Gurgel de Lucena (06/10/1972)- Farmacêutica
C – Humberto Ellery Nunes de Lucena (03/08/1966)- Médico e Advogado
124.Tr – Israelly Ellery Gurgel de Lucena (21/01/1990)- Estudante
125.Tr- Humberto Ellery Gurgel de Lucena (26/12/1998) - Estudante
12.N – Niceas Holanda Gurgel (27/06/1934) - Advogado, Empresário
C – Olympia Nardi Gurgel (03/05/1939) - Contadora
68.B – Carlos Eduardo Nardi Gurgel (02/08/1964) - Colegial Completo, Empresário
C – Maria Lúcia Sanvidotti Gurgel (08/01/1963) - Colegial Completo
126.Tr – Carlos Eduardo Sanvidotti Gurgel (08/06/1989) - Estudante
127.Tr – Tâmara Sanvidotti Gurgel (28/08/1991) - Estudante
69.B – Adriana Nardi Gurgel Migliari (25/01/1969) - Farmacêutica
C – Rogério Márcio Migliari (02/09/1968)- Universitário de Engenharia, Comerciante
128.Tr – Victória Gurgel Migliari (15/05/1997) - Estudante
70.B – Maurício Nardi Gurgel (xxxx-xxxx) (In memoriam)
13.N – Maria Nereida Gurgel Pinho (06/10/1937) - Empresária
C – 1as. Núpcias – Humberto Correia Pinho (21/08/1937) - Enfermeiro, ((In memoriam))
71.B – Maria Adriana Pinho Gurgel Brito (10/11/1963) - Graduada em História
C – Francisco Elisio Brito Ferreira (20/09/1966) - Pecuarista e Comerciante
128.Tr – Fernanda Maria Gurgel Brito (20/09/1993)
129.Tr – Virna Gurgel Brito (16/07/2001)
72.B – Rosângela Gurgel Pinho Barreto (18/11/1965) - Graduada em História
C – Jorge Roberto Correia Barreto (xxxx) Graduado em Ciências Biológicas, Radialista
130.Tr – Jaski Humberto Gurgel Barreto (04/09/91)
131.Tr – Francisco Jarde Gurgel Barreto (xxx
132.Tr – Maria Jardênia Gurgel Barreto (xxx
73.B – Francisco Edilberto Gurgel Pinho (23/12/1969)
C – Valéria Feitosa (xxxx
133.Tr – Pedro Henrique Feitosa Gurgel (xxxx
C – 2as. Núpcias – Antônio Maurício de Oliveira (22/09/1940) -Caminhoneiro
74.B - Elisângela Gurgel de Oliveira(20/01/1978) - Graduada em Ciências Biológicas
14.N – Napoleão Holanda Gurgel (01.02.1940) - Agricultor, Empresário
C – Paula Teixeira Gurgel (21.11.1947) - Empresária, Funcionária Pública municipal
15.N – João Bosco Holanda Gurgel (05/12/1941-12/10/2004) – (In memoriam) Comerciário
C –Nalzira Matilde Vila Gurgel (05/11/1942) - Do lar
75.B – Rogério Vila Gurgel (13/10/1969)
134.Tr – Alon Pedreira Gurgel (17/04/1994)
76.B - Alexandre Vila Gurgel (29/10/1972) - Vigilante
C – Cristiane Alves Gurgel (05/06/1973) - Do lar
135.Tr – Alex Cristhian Alves Gurgel (03/06/2002)

Comentários   

 
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