Acopiara - Eita Brazilzão sem porteira

Por JB Serra e Gurgel (*)


Daqui de Acopiara, ,a 360 km de Fortaleza, dá pra gente ver o Brasilzão sem porteira.


Não precisa pegar ônibus, caminhão, jipe, carrão, carrinho, nada! Acabaram com o trem e não tem avião.


Basta abrir o computador e navegar na Web.


Macho, a coisa tá braba. Quanto mais o mundo anda pra frente, andamos pra trás. Sem muito esforço, concluímos que não apenas temos 20 milhões de analfas, bem como outros 100 milhões de analfas funcionais, como o mais ilustre dos nossos apedeutas!


Escola ruim e educação péssima só produzem estragos no nosso processo civilizatório.


Pela Web, rolam e-mails sobre as “pracas”. O “kibeloco”, fiscal da língua, com base nestas  “pra cas”,deixa o Brasil nu, com rola e bolas de fora, se forem homens, buzinas e vassouras à mostra, se forem mulheres, ainda não vitimadas pela moda das pererecas!


O resultado é digno da monstruosidade dos ENENs da vida que comprovam que a grande realização do MEC , nos últimos 10 anos, foi o “kit gay”. Ninguém se deu conta das gerações perdidas por falta de escola e escolaridade. Hoje, temos  6 milhões de jovens nas universidades ,16 milhões fora e seis milhões  fazendo cursinhos para disputar 200 mil vagas nas universidades públicas. O discurso do MEC é contra o futuro do país, é apoplético, patético, petético, antiético. Os ministros da Educação com suas ONGS são sinistros. Deveriam ser presos e sumariamente julgados Pelo Tribunal de Cabrobó pela tentativa de estimular a prostituição infantil!


Voltando à vaca fria, vejamos na prática o  que acontece pelo Brazilzão, após 10 anos de tentativas de consertos e remendos. O  apedeuta-mor vomitava: nunca dantes neste pais e os analfas aplaudiam-no histericamente. Estamos descendo a ladeira, a caminho da Barbárie, nome de um novo município do ABC paulista,  incrustado entre São Caetano dos Bárbaros e Santo André dos Ignorantes:  Vende-se virou vendi-ce , Barbacue  -  Barbie kill ou baby kio, cartomante – carta o mante, asfalto – osfalto, mesa de ferro fundido – mesa de ferro fudido, vaca atolada – vaca à tolada, musse – mouse, pneu – peneu e pineu, hotwailler –hot vale,  halls – rause, tape ware – tapoé, afrodisíaco –a flor de zíaco, instalador de SKY –estalador de SKY, barbearia – barbe Aria, big brother –big brodd, refrigerante – refrigeranti, hot dog – roguidogi, churrasquinho de frango – xurasqui de frango, queijo – quejo, salsichão – sausisão, charque – xarque, meio período – meio perildo, armário de aço – armário de aso,  freezer – frízer, milho verde – milho verdi, pamonha – pamomlha , eucalipito –eucalipido, lombada –lonbada, laquiamos –lakiamos, peças e pneus para sua bike - pesas e pineus para sua  baig, executamos -ezecultamos  , injeção eletrônica – injesão, fazemos buquê – fazemos bouquet,  perseguição – peciguição, atleta – alteta, hoje – hoge, mercado Carrefour –mercado Karrifu, não estacione – não estazione, ponto do acarajé –ponto do acarangé., adeus Serie C – adeus cerie-C, concerta bicileta – conceta biciqeta, só calças griffe man – guifeman, gergelim -  gingilin, spray – esplei, chave –chave, chaveiro – xaveiro – faço carimbo – fasso karibo, dou aula de português – dô aula de portuguei – amolador – omolador,  eu amolo tesoura – io amola kisora,  Tudo  isso e muito mais está nas “pracas” reunidas pelo “kibeloco” ou por outros kibes, nada loucos, como  António Pinho, Socorro Gurgel e Wilson Ibiapina.


As “otoridades” não estão nem aí para as “pracas”. Afinal quem faz estas pracas “votam na gente”, como diz o autor de “Azelites”, livro todo em branco dos apedeutas. Existem “pracas” com dizeres: “não toque, se são souber ler, procure o guarda”. “Vende-se frango semi-caipira e fraldas descartaveis”,  “Testemunha de Jeová, se não tem o que fazer não venha fazer aqui”, “Rei da Pamonha, restaurante árabe”, “Corta-se cabelo masculino ao vivo”, “Ponte Cell, consertamos todos os tipos de aparelhos celulares, com ou sem fio”, “Clinica Medica Alvorada. Convenio Exclusivo com a Funerária Renascer. Juntos para melhor servi -los”.  “Bloco Dumdum, Atenção!!!brigas e confusões não serão aceitas  dentro do bloco Dumdum.  Os envolvidos serão banidos permanentemente do Bloco. E para os que não gostarem saibam que estamos  defecando e tranzitando”.Mercearia  e P izzaria. Temos Cimento”. “O madrugão. O pior galeto de Porto de Galinhas, o ruim mesm´é a pizza”. No Estádio da Portuguesa, em S.Paulo, o garoto do placar pôs a “praca”:Portugusa 0 Marilha 0. O aloprado ministro da Educação vai  propor a bolsa língua e a construção de um monumento ao analfabeto desconhecido .


A maioria das “pracas “comerciais é de micoempreendedores, gente que pouco paga o INSS mas que vai se aposentar. A nação lhes indenizará por terem sido excluídos da escola!. Não estudaram, não leram, falam e escrevem errado o tempo todo, acham lindo “língua plesa” , tentam sobreviver como podem, muito diferente dos membros mensaleiros , da classe dominante, que sobrevivem com boquinhas, corrupas, milhões, carrões, mulherões, cartões, aviões, e que usam o estilo de linguagem dos analfas aquidanuanos, a fina flor dos apedeutas com Mestrado,MBA,doutorado, pós graduação em picaretagem clássica ,um ramo da mecânica de quatro dedos...

JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor

As armas e os barões assinalados

Por JB  Serra e Gurgel (*)
Nos períodos do Brasil Reino e Brasil Império foram com concedidos 1.400 títulos de nobreza à plebe colonial, a fina flor da lavoura, a elite escravocrata, a classe dominante imperial. Dom João VI foi mais comedido, concedendo apenas 254. Nos nove anos de dom Pedro I, foram poucos, 150. Na Regência , não houve concessão de títulos, felizmente. Nos 48 anos de reinado de dom Pedro II, a torneira foi aberta e  mil títulos concedidos, quase 20 por ano. Houve uma chuva de concessões principalmente  de barão sem grandeza, os magnatass do café, sendo que entre 1878 e 1889, 370 e 150 nos dois últimos anos do Império,1888 e 1889.
 Em 1829, a Aurora Fluminense,  fez crítica aberta  à torrente dos títulos, escrevendo: “A monarquia portuguesa, fundada há´736 anos, tinha em 1803, época em que foi reformado o quadro, 16 marqueses, 26 condes, 8 viscondes e 4 barões. O Brasil, que tem 8 anos como potência, conta já no seu seio 28 marqueses, 8 condes, 16 viscondes e 21 barões”.
A Aurora não imaginaria o que viria mais tarde. Era só o começo.
Em 1869, a grande concentração da nobreza titulada estava na Corte, 55 deles, além  de outros 39 na Província do Rio de Janeiro, 24 na Bahia, 22 em Pernambuco,  19 em Minas Gerais, 17 em São Paulo, 10 no Rio Grande do Sul e na Paraíba 4 em Mato Grosso e Sergipe, 3 em Alagoas e no Maranhão, 2 no Ceará e Pará, 1 no Espirito Santo, Paraná e Piaui, 11 no exterior e 13 sem localização (?). Não havia nobreza no Amazonas e no Rio Grande do Norte!.
Em 1869, o pais tinha 239 nobres, sendo 1 duque, 11 marqueses, 11 condes, 36 viscondes, e 180 barões.
Em 1879, pulou para 320 nobres, sendo 1 duque, 7 marqueses, 8 condes, 55 viscondes e 249 barões.
No final do Império, em 1889, ou como queira, a República encontrou Brasil dentro e afora a 387 nobiliarcas, sendo marqueses, 10 condes, 54 viscondes e 316 barões. 

Dom Pedro II exercitou com prodigalidade a arte de concessão de títulos de nobreza. A grande  cobiça  à nobreza no Brasil deu-se com grande velocidade no seu  reinado fazendo contraponto com austeridade da gestão pública.

Teria começado em 1847, com a fixação de regras para concessão do uso de brasão de armas, em que se exigia “precedência da justificação da nobreza’, com base numa Provisão de 1807, que impunha “aos pretendentes a obrigação de produzirem, além das testemunhas, documentos autênticos, que provem legalmente pertencerem eles às famílias, com que querem entroncar-se”.  Mera formalidade  que seria anotada pelo Juízo dos Feitos da Fazenda, com audiência do Procurador dos Feitos.

A concessão de títulos e brasões exigia também a “uma carta de mercê” que custava caro. Alis, o nobre teria que abrir a bufunfa para adquirir e portar um título.  O titulo de duque 2:450$000 (dois contos e quatrocentos e cinquenta mil reis); marques 2:020$000 (dois contos e vinte mil reis), conde, visconde e barão com grandeza  1:575$000 (um conto e 575 mil reis), barão “sem grandeza” 750$000 (setecentos e cinquenta mil reis). ´

Habilitado a ser nobre, choviam os pagamentos: só a  carta de brasão de armas  seria emitida custava  170$000 (cento e setenta mil reis). As despesas totais, com impostos, emolumentos, papel, lavratura, escritura,  selos, carimbos, gorjetas, etc  e tal, chegavam ainda  366$000 (trezentos e sessenta e mil reis), sendo 30$000 pelo requerimento a S.M o Imperador, pergaminho para álbum quatro folhas , 32$000; carta de nobreza e fidalguia em caracteres góticos dourados, 130$000; Copia das armas para Secretaria do Imperador 25$000; copia para o arquivo do Rei das Armas, 25$000, composição de Armas Novas , 40$000; escrevente da Carta de Nobreza, 40$000, despacho à Secretaria do Império, 10$000. Emolumentos do Escrivão de Nobreza e Fidalguia, 50$000; Ditos do Rei das Armas, 50$000; Novos Direitos no Tesouro 20$000; Selo da Carta de Nobreza 70$000 .

O uso indevido de títulos condecorações e brazões viria s ser qualificado de estelionato e assim punido em 1871;

Havia também as “mercês honoríficas” : títulos de duque, marques, conde, visconde e barão. ; títulos de Conselho e os tratamentos de Excelência e Senhoria, empregados da Casa Imperial, Condecorações das várias ordens do Império,  graduações militares honorárias. Rapapés, mesuras, precedência nas festas imperiais faziam parte do roteiro.

A nobreza poderia usar coroas. Muitos foram buscar no tupi-guarani uma nova identidade, com uma relação próxima da localidade onde nasceram o que deram tintas indígenas à nossa nobreza, que não simpatizavam coma causa dos índios e dos negros. Só com suas plantações, minas, cartórios, exportações, importações, vendas ao Império, comércio, pecuária.

Os títulos eram pessoais e não hereditários. Isto não impedia porem que as mulheres dos nobres carregassem os títulos, no feminino, condessa, viscondessa, duquesa, baronesa. Na realidade, algumas mulheres  (2,5% total) foram elevadas à nobreza por relevantes serviços prestados à Casa Imperial, o mesmo tendo acontecido com muitas viúvas de nobres mortos, que foram promovidas de classe.

OS.dois nobres do Ceará teriam sido os Barões  de Aratanha  e da Ibiapiaba. Mas tivemos ainda o Visconde do Cauipe e o Barão de Studart.

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor, com Lilia Moritz Schwarcz” em “Ar Barbas do Imperador”.

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Anexos:
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A gíria presente na obra de Eça de Queiroz II

Por JB Serra e Gurgel (*)

Há pouco tempo escrevi sob o mesmo título artigo em que assinalava a gíria na obra de Eça de Queiroz, na edição de “A Correspondência de Fradique Mendes”, da L&PM Pocket, com apresentação, posfácio e notas de Fabio Bortolazzo Pinto, reimpressão de agosto de 2010. Carlos Fradique Mendes, criado por ele, Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, surgiu em 1869. Em 1870, segue vivo com Ramalho Ortigão. Em 1888, Eça colocou biografia e correspondência em Fradique.  Não viu  o lançamento, pois faleceu ante. s Eça nasceu. em 25.11.1845 e morreu em 16.08.1900. De 1872 a 1874, com 22 anos, serviu em Havana, de 1874 a 1878, em Londres, de 1878 a 1900, em Paris.

Retomo a gíria na Obra de Eça de Queiroz agora em  “O Primo Basílio”, lançado em 1878, no rastro do sucesso de o Crime de Padre Amaro (1875) e Cartas da Inglaterra” (1877) quando foi transferido para o consulado português em Bristol, na Inglaterra. A edição em que me baseei é a da FTD, de 1994, que está de acordo com a da Livraria Lello Ltda, de 1935, com notas de Elenir Aguilera de Barros.

Não quero dizer que Eça seja influenciado pela gíria, ou como se diz em Portugal pelo calão. Até admito que  recorreu aqui e alhures à gíria pela sua ausência física de Portugal, pois desde  1872 quando foi para Havana, que viveu fora de Portugal. Mas tinha o domínio da língua padrão, da língua portuguesa , falada e escrita da época. O seu texto é muito rico, sem ser rebuscado e ininteligível. Pelo contrário é um texto de fácil percepção..

O livro é rico nas referências  sobre autores, romancistas, músicos, compositores, canções populares, divindades greco romanas, personagens bíblicas e principalmente francecismos ou galicismos e anglicismos ,  citados aos montes, o que facilita a compreensão do contexto.

Mas além de gírias há muitas palavras do português histórico e da língua morta.

Tive o cuidado de capturar as gírias que continuaram no tempo, sem mutações relevantes.

Sigo, neste texto, a própria ordem do livro, para facilitar a identificação: quebreira, cansaço, fraqueza,  moleza após refeição; restolho, palha de plantas  , piso; proseirão, falador, prosador; romanesca, romântica;   frufru (do francês frou-frou)  ruído produzido pelo roçar de  saias; cuia, tufo de cabelos postiços; tique (do francês tic) sestro, mania; cuco, relógio; calembur  (do francês calembour,  jogo de palavras na significação mas semelhantes sons); pelintra , pilantra; parvo, bôbo, palerma; beleguim guarda; tipóia carruagem puxada a cavalo; bagatela qualquer coisa;  abarrotar comer demais e ficar arrotando; cabeça;  viborazinha, pessoa elétrica, irrequieta; cupê, tipo de carruagem; bife, elegante, bem vestid,; escarlate, vermelho; dengueiro, dengoso; gaforinha, cabelode negro ou  mal penteado; gingão, pessoa grande; cavaqueira, reunião social para conversar, tocar música, tomar chá e comer guloseimas; tumba, pessoa que não fala;  furar, abrir espaço na escala social; pequena, menina, moça; cera-mostache, cosmético para alisar e empastar o bigode; olhos repolhudos,  olhos quebrados;  tronco de árvore, pessoa forte, o Sebastiarrão; sebento, seboso; babar, apaixonar-se; degredo, exílio voluntário ou forçado;  chique (do francês chic), lindo, da moda; isca seca, pessoa magra; fava torrada, pessoa magra;  saca-rolhas, pessoa magra; piorrinha mulher de baixa estatuta, miúda; bruá (do francês brouhaha), ruído confuso que se eleva da multidão; pupurri (do francês pot-pourri), seleção de músicas; neve, sorvete; macambúzio, tristonho, fechado,  pensativo; debochado, descarado; perdido, sem jeito; falatório, muita conversa, intriga;  beata, comportada, sem ser carola, recatada; passear os meus leites, fazer digestão; tripa velha, pessoa magra; mexericar intrigar; asno imbecil, ignorante ; besta imbecil, ignorante; peralvilho atrevido, agressivo;  choldra, povão, ralé; maroto, malandro; espalhafatona, espalhafatosa; cacifro, quarto dos baús; tó rola,   “isso,sim”,  “não me enganas”!, reles, sem graça, atrasada, sem encantos; maroto pessoa astuta; sarcófago, depósito de coisas inúteis; redondinha, gordinha;patranha enganação;  gajo, rapaz, moço; chazada, xícara de  chá; caturra  pessoa velha, sem graça; lanche (do inglês lunch); pequerrucha, pessoa de baixa estatura, miúda; tintlim, tilintar de moedas; deixar correr o marfim, deixar que as coisas aconteçam;  trambolhozinho, mulher de baixa estatura e gordinha; ;safar-se, sumir, desaparecer; don juan, (do espanhol), sedutor, conquistador; lençóis de vinagre,  bater numa pessoa e deixa-la com o corpo contuso; carradas de razão, coberto de razão; pechincha, presente barato; pingadeira, uma série de presentes, entregues espaçadamente; cardar,, esperar; um ror, um monte, muito;  ave noturna, pessoa da noite; deixando tudo ao deus dará, ao léu, abandonado; punha-se a panriar, a descansar, a zombar; ditinhos, piadinhas, tacões, sapatos; rapariguita, moça nova; metediço, intrometido; bufa! bufa!, ufa, ufa!; estabanada, sem modos; janota, bem vestido, aprumadinho; engelhada, enrugada, muito velha;  enxovia, prisão; tintim por tintim, nos mínimos detalhes; que ferro! que maçada!; sustanciazinha, comidinha; desembaraçar daquela estopada, livrar-se de uma situação ruim; caldeira de Pedro Botelho, o inferno; randevu (do francês rendez-vous, casa de tolerância), arrepelou-se, saiu de si, descontrolou-se.

Há também no livro um grande acervo de palavras e  expressões remetidas à língua morta tais  como: dormir nas montadas; lausperene; anediar; botinas de duraque; peitilhos, galgos, palrar, estanqueira, vórtice, lamecha, cocar, repas etc.;

O livro que reafirma a trajetória de Eça no realismo apresenta tipos com traços repulsivos e cômicos , acentuados na ironia do autor sobre a sociedade portuguesa.

(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara), jornalista e escritor

História do Ceará de todos nós, presentes e ausentes

 JB Serra e Gurgel (*)

  Em 1534, dom João III criou a Capitania do Ceará, a menor de todas. compreendendo 40 léguas de extensão ao longo do litoral do rio da Cruz (Camocim) e Angra dos Negros(Jaguaribe).O donatário, Antonio Cardoso de Barros, aqui não apareceu. Em 1603, no governo de Diogo Botelho, 8º governador geral do Brasil, no reinado de Felipe III, Pero Coelho de Sousa, obteve a patente de capitão-mor e tentou conquistar o território do Ceará.Malogrou.

 Em 1607, os jesuítas Francisco Pinto e Luiz Figueira obtiveram permissão de Diogo Botelho e chegaram a Ibiapina. Em 1612, Martim Soares Moreno chegou ao Ceará com um clérigo e seis indígenas. Construiu um forte na barra do Rio Ceará a quem deu o nome de São Sebastião. Malogrou também.

 Em 1617 Martim retornou ao Ceará e organizou a vida colonial.

 Em 1621, a capitania do Ceará foi anexada a do Maranhão.

 Em 1637, expedição holandesa com 126 homens se apoderou do forte São Sebastião.

 Em 1649, Matias Beck se apossou da capitania e ergueu o forte de Shoonemborch, hoje fortaleza Nossa Senhora da Assunção.

 Em 1654, terminou o domínio holandês no Ceará.

 Em 1656, a Capitania do Ceará foi desmembrada da do Maranhão e anexada a de Pernambuco.

 Em 1699, foi criada a 1ª. vila do Ceará, vila São José do Ribamar, próxima do forte de São Sebastião, no reinado de dom Pedro II, sendo governador geral, Francisco Gil Ribeiro, o 80º governador geral do Brasil, elegendo-se vereadores e juízes ordinários.

 Em 1701, a sede da vila foi transferida para a barra do rio Ceará.

 Em 1713, foi transferida para Aquiraz;, por ordem régia de dom João V.

 Em 1926, sendo capitão-mor Manuel Frances,foi instalada a administração judiciária, contando a comarca com 19 ouvidores.

 Em 1718 e até 1721, eclodiu a contenda entre os Montes e os Feitosa, por causa de sesmarias, com guerra aberta pela posse das terras.

 Em 1765, o Ceará contava com 835 fazendas de gado e 125,878 habitantes.

 Em 1799, o Ceará se tornou capitania independente, pela carta régia de d. Maria I, de 17 de janeiro, cessando a dependência de Pernambuco. Neste período, foram 39 capitães-mores. Assumiu como 1º governador chefe de esquadra Bernardo Manuel de Vasconcelos, que colocou baterias na enseada do Mucuripe, organizou um corpo de milicianos, edificou as povoações de Arronches, Messejana e Soure , instituiu a Junta da Real Fazenda e iniciou comércio direto com Lisboa.

 Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, assumiu como 3º governador , o fidalgo da Casa Real Luiz Barba Alardo de Meneses, que intensificou o comércio e a nevagaçao com a Europa, implantou a indústria algodoeira e realizou o censo.

 Em 1812, o 4º governador, Manuel Inacio de Sampaio, construiu a fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

 1817, a revolução pernambucana teve conseqüências no Sul do Ceará, o Cariri, com a Proclamação da República no Crato,e envolvimento do sub-diácono José Martiniano de Alencar, seu irmão Tristão Gonçalves de Alencar, e sua mãe, Barbara de Alencar. Os 25 rebelados foram presos, levados para o Recife e Salvador.

 Em 1822, com a proclamação da Independência, as Câmaras de Quixeramobim, Aracati, Russas e Icó manifestaram-se pela República.Houve resistências ao domínio português por parte de Pereira Filgueiras, Tristão Gonçalves de Alencar e Joaquim Pinto Madeira, que consideraram “decaídos o Imperador do Brasil e a dinastia de Bragança!”.

 Em 1823, a vila de Fortaleza foi elevada a cidade de Fortaleza de Nova Bragança.

 Em 1824, o tenente coronel Pedro José da Costa Barros foi nomeado 1º Presidente da Província do Ceará.

 Filgueiras e Tristão depuseram-no e o embarcaram de volta ao Rio de Janeiro.Consolidou-se a adesão do Ceará à Confederação do Equador,proclamada em Pernambuco, sufocada pelo coronel Francisco de Lima e Silva e uma divisão naval com 1.200 homens sob o comando de Lord Cochrane. Costa Barros voltou ao Ceará.

 Em 1831, com a abdicação de dom Pedro I, nova sedição irrompeu no Crato com o coronel de milícias e caudilho Joaquim Pinto Madeira, que acabou se rendendo ao general Labatut com 1.690 seguidores. Os lideres foram mandados para uma prisão em São Luiz e voltaram ao Crato para julgamento, tendo Madeira sido condenado à morte . Não aceitou ser enforcado e acabou fuzilado.

 Em 1834, o padre José Martiniano de Alencar assumiu o governo e instalou a 1ª. assembléia provincial

 Em 1864 e 1865,na presidência do dr. Lafyette Rodrigues Pereira, o 27º, o Ceará mandou 5.802 homens para a Guerra do Paraguai, como “voluntários da Pátria”.

 De 1605 a 1944, o Ceará foi flagelado por 27 calamidades climáticas. De 1841 a 1889, o Ceará foi governado por 43 presidentes nomeados pelo Imperador Pedro II.

 Jb Serra e Gurgel (Acopiara),